
Cachorros não vacinados morrem por cinomose no interior de SP: ‘Surto’, diz veterinário
Cachorros não vacinados estão morrendo por cinomose, uma infecção viral grave, em Aguaí (SP). O médico veterinário e fundador do Projeto Jurema, Henrique Nascimento Pozer, considera que a cidade vive um surto da doença.
Nos últimos 30 dias, o veterinário retirou da rua mais de 20 cachorros com cinomose, sendo que 12 estavam com a doença avançada e precisaram de eutanásia – ato intencional de provocar a morte sem dor de um paciente com doença incurável ou em estado terminal.
Procurada pela EPTV, afiliada da TV Globo, a Prefeitura de Aguaí disse que não foi notificada oficialmente da quantidade de animais com cinomose no município. (Veja mais abaixo).
🔎A cinomose é uma doença viral grave e altamente contagiosa que afeta os cães. O vírus atinge principalmente filhotes não vacinados ou animais imunossuprimidos e debilitados, comprometendo sistemas como o respiratório, digestivo e nervoso.
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Resgate de cães debilitados
Resgate de cães debilitados com cinomose tem sido uma cena comum nos últimos dias em Aguaí
EPTV/Reprodução
O resgate de cães debilitados ou agonizando nas calçadas tem sido uma cena comum nos últimos dias em Aguaí. De acordo com o veterinário, a doença infectocontagiosa atinge somente cachorros.
“Ela começa afetando o sistema nervoso central, então o animal tem dificuldade de locomoção, vai afetando também o sistema respiratório, vai desenvolvendo doenças secundárias como a pneumonia, muita secreção ocular, muita secreção nasal e isso vai prejudicando e levando o animal a óbito”, disse Henrique.
Parte dos cães resgatados por Henrique foram levados a clínicas particulares para serem eutanasiados. “Os animais chegaram em uma situação tão deplorável que não tinha mais como a gente tratar”.
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As mortes dos cães poderiam ser evitadas com vacinação. “Eles estão morrendo na nossa cidade por falta de políticas públicas, por falta de vacinação preventiva, por falta de castração, controle populacional e falta de recursos de resgate aos animais que tanto necessitam”.
Apesar de ser uma doença contagiosa e agressiva, quando tratada a tempo, os animais podem ser salvos. A Lili é um desses casos e, apesar das sequelas graves, como a paralisia, conseguiu sobreviver. O Branquinho também teve cinomose e vive normalmente.
Lili e Branquinho são sobreviventes da cinomose
EPTV/Reprodução
O veterinário explicou a importância de reforçar a vacina contra a doença anualmente, além da implementação de políticas públicas voltadas à causa animal.
“Todos os tutores têm que se atentar em fazer a vacinação e que a gente deve cobrar os poderes públicos de cada cidade que cumpram seu papel e vacinem os animais que estão em situação de rua e os animais da população baixa renda que não conseguem comprar a vacina e atender essa necessidade para que não aconteça um surto como aconteceu aqui”, finalizou.
Prefeitura não foi notificada
A Prefeitura de Aguaí disse que não foi notificada oficialmente dos casos de cinomose. De acordo com o secretário de Planejamento, Serviços Urbanos e Meio Ambiente, Wagner Gockos, a cidade irá editar um decreto que segue o código sanitário municipal.
“Solicitando que cuidadores, clínicas, ONGs notifiquem a prefeitura a respeito desses surtos de cinomose para que consigamos planilhar, tabelar, georreferenciar esses casos para ter uma ação mais assertiva e de controle dessa doença no município de Aguaí”, afirmou Wagner.
Resgate de cães debilitados com cinomose tem sido uma cena comum nos últimos dias em Aguaí
EPTV/Reprodução
O secretário disse, ainda, que o município tem um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público para atender os animais doentes, e que as empresas que se credenciaram vão atuar de moro randômico, ou seja, em situações incertas e imprevisíveis.
“Nós temos que chamar uma por vez para cumprir a questão de vacinação, microchipagem e também a castração dos animais no município de Aguaí”, complementou.
O que é a cinomose
Vacina contra cinomose, doença que atinge apenas os cães
TV TEM/Reprodução
A cinomose é responsável pela morte de 20% dos cães ao ano, e é causada pela inalação ou contato direto com partículas virais eliminadas pelo hospedeiro, de acordo com o Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo (CRMV-SP).
De acordo com o CRMV-SP, os felinos e roedores, por exemplo, não correm o risco de contrair a doença. A melhor prevenção para os cachorros consiste na imunização a partir dos 45 dias de vida. Com 75 e 105 dias, o animal recebe a segunda e terceira dose, respectivamente.
Por atacar o sistema neurológico, causando agressividade e desvios de comportamento, a cinomose pode levar os pets à morte. A doença pode se manifestar de três formas diferentes: gastroentérica, respiratória e neurológica.
Nesses casos, o animal doente pode apresentar vômito, diarreia, que evoluem para tosse, convulsões, secreção ocular e nasal devido à pneumonia, além da paralisia de membros. O tratamento é feito com antibióticos, descongestionantes, protetores de mucosa e anti-inflamatórios.
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