Instrutor de voo que se jogou de avião na Argentina: abrir a porta no ar é manobra treinada, diz especialista


Instrutor de voo se joga de avião em pleno ar na Argentina; aluna consegue pousar
A história do instrutor de voo que se jogou em pleno ar na província de Córdoba chocou a Argentina.
Leandro Bertazzo, de 42 anos, acompanhava uma aluna em um voo de treinamento quando saltou de uma altitude estimada de 250 metros. Seu corpo foi encontrado em uma área rural.
A aluna, cujo nome não foi divulgado, já possuía licença de pilotagem, mas tinha poucas horas de voo no modelo envolvido, um Cessna 150. Ela pediu auxílio da torre de controle e conseguiu efetuar o pouso normalmente.
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“Leandro tirou os fones de ouvido, deixou o celular de lado e abriu a porta — algo muito difícil de fazer devido à pressão do ar”, disse Eduardo Alvarez, diretor da escola Flying Parrot Córdoba, ao jornal argentino “Clarín”.
Leandro Bertazzo, instrutor de voo que se jogou de avião na Argentina
Reprodução: Redes Sociais
Raul Marinho, diretor técnico da Associação Brasileira de Aviação Geral (Abag), relata que abrir a porta de um Cessna 150 em pleno ar não apenas é possível, como um procedimento treinado por pilotos e alunos.
“O Cessna 150 é uma aeronave muito pequena e muito lenta”, diz Marinho, que fez seu treinamento como piloto no mesmo modelo. “A velocidade de estol (velocidade mínima para permanecer voando) dele é de cerca de 42 nós, ou 88 km/h.”
Ele compara o ato de abrir a porta da aeronave em voo com abrir a porta de um carro na estrada — não é algo fácil de se fazer, mas também não é impossível. A comparação é válida, explica Marinho, quando a aeronave está voando a baixa altitude, e a pressão do ar fora da cabine é praticamente a mesma pressão do ar em solo.
“Não sei como é agora, mas quando eu fiz o treinamento nós aprendíamos a fazer essa manobra. Era preciso colocar o pé na porta e empurrar”, conta Marinho.
O piloto explica que a manobra era ensinada para emergências, no caso de a aeronave não responder aos comandos do piloto devido a rompimento dos cabos, por exemplo. Ao abrir a porta da cabine, cria-se uma resistência aerodinâmica capaz de fazer o Cessna 150 realizar curvas.
Saúde mental
Leandro Bertazzo havia procurado atendimento psiquiátrico, mas não havia comunicado isso à escola de voo.
O fato só era conhecido pela família. Seu pai declarou à imprensa argentina que o piloto “estava passando por um momento difícil”.
No dia do incidente, o comportamento do instrutor não levantou suspeitas dos colegas.
Marinho explica que “a saúde mental é tabu em todas as áreas, mas um tabu muito maior na aviação”.
“Questões de saúde mental podem levar um piloto a perder o certificado médico, o que os deixa impedidos de voar”, alerta o diretor técnico da Abag, que defende iniciativas de conscientização sobre o tema na área.
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