
Advogado é preso por suspeita de golpes
Um advogado suspeito de dar golpes nos próprios clientes, em Catalão, no sudeste de Goiás, foi preso. Michel de Lacerda Bento é investigado por estelionato. De acordo com apuração da TV Anhanguera, a suspeita é que ele captava clientes prometendo reduzir valores de parcelas de financiamentos imobiliários. Os recursos, porém, eram retidos por ele.
A defesa de Michel não foi localizada até a última atualização desta reportagem. De acordo com o Cadastro Nacional de Advogados, da OAB, o registro profissional dele está suspenso.
Em entrevista à TV Anhanguera, uma das pessoas que afirmam terem sido vítimas do advogado detalhou as orientações que ele passava e o que acontecia em seguida. Adeildo Leite de Araújo disse que Michel lhe pedia que parasse de pagar as prestações, para forçar o loteamento a uma negociação. Ao mesmo tempo, pedia dinheiro para quitar algumas parcelas atrasadas.
“Ele ligava fora do horário, pedindo pix para pagar duas, três prestações que estavam mais atrasadas. A gente enviava o pix para ele e nada foi pago”, disse Adeildo.
O advogado Michel de Lacerda Bento é suspeito de aplicar golpes em diversos clientes, em Catalão
Reprodução/ TV Anhanguera
Segundo a TV Anhanguera, a Polícia Civil acredita que ele tenha feito cerca de 40 vítimas, cujos prejuízos, somados, podem chegar a R$ 700 mil.
Em uma decisão de março deste ano, relacionada a um pedido de habeas corpus preventivo, a juíza Priscila Lopes da Silveira, da comarca de Anápolis, ao prestar esclarecimentos a um desembargador, afirmou que foi instaurada investigação criminal pela 4ª Promotoria de Justiça da Comarca de Catalão, para apurar a suposta prática dos crimes de estelionato e apropriação indébita.
“Segundo a portaria de instauração, o investigado, valendo-se de sua atuação profissional como advogado, teria induzido múltiplas vítimas a erro mediante promessa de redução de parcelas de loteamentos e obtenção de indenizações”, disse a juíza.
Adeildo Leite de Araújo, que alega ser uma das vítimas, disse que Michel lhe pedia que parasse de pagar as prestações do financiamento imobiliário
Reprodução/ TV Anhanguera
A magistrada afirmou, ainda, que há indícios de que Michel orientava as vítimas a interromperem o pagamento das parcelas dos imóveis, “o que teria contribuído para o agravamento das dívidas e gerado risco de perda dos bens”.
“Os elementos informativos indicam que ele solicitava pagamentos iniciais, geralmente entre R$ 2.050 e R$ 3.500, para a propositura de ações judiciais, bem como valores adicionais a título de custas processuais e supostos atos judiciais, sem a devida prestação de contas ou acompanhamento adequado das demandas”.
