
A Agência Espacial Europeia (ESA) divulgou uma imagem de satélite que mostra o tamanho da movimentação do solo causada pelos dois terremotos que atingiram a Venezuela no dia 24 de junho.
A foto foi montada a partir de dados dos satélites Sentinel-1, que fazem parte do Copernicus, o programa de observação da Terra da União Europeia (UE). Até o momento, os abalos sísmicos deixaram 3.811 mortos no país sul-americano, segundo balanço divulgado nesta quarta (8).

Os satélites, no entanto, não tiram fotos convencionais… na verdade, eles usam um radar para “iluminar” a superfície da Terra e medir o tempo que o sinal leva para voltar até o sensor.
Comparando duas medições do mesmo local feitas em datas diferentes, os cientistas conseguem identificar se o solo se deslocou, mesmo quando essa mudança é pequena demais para ser vista a olho nu.

Para montar o mapa, os pesquisadores compararam uma medição feita em 18 de junho, 6 dias antes dos terremotos, com outra do dia 25 de junho, um dia depois dos dois abalos, de magnitudes 7,2 e 7,5.
Essa comparação resultou no que os cientistas chamam de interferograma, uma imagem que mostra o quanto o terreno se deformou depois do evento.

Segundo a ESA, os destaques do mapa são as faixas coloridas que se repetem em linhas horizontais na parte norte da imagem. Cada ciclo completo dessa sequência representa um aumento fixo na distância entre o satélite e o solo. Dessa forma, quanto mais ciclos aparecem entre uma área e outra, maior foi o deslocamento acumulado do terreno.
O padrão de faixas na região norte do mapa coincide com a área do epicentro dos terremotos, onde ocorreu a maior parte da deformação. As faixas seguem o traçado do sistema de falhas de San Sebastián, uma das principais estruturas tectônicas do norte venezuelano. A estimativa da ESA é de que o deslocamento na região tenha ficado na casa dos 30 centímetros.

Isso não quer dizer, entretanto, que o solo simplesmente subiu ou desceu 30 centímetros. Terremotos podem fazer o terreno subir, afundar, se mover lateralmente, ou uma combinação dos três movimentos ao mesmo tempo. Para entender a movimentação, outros tipos de imagem de satélite serão necessários, além de medições feitas no local.
Esse procedimento dificilmente vai acontecer tão cedo, já que autoridades venezuelanas e equipes internacionais seguem concentradas na resposta à crise humanitária, em meio a prédios desabados e milhares de pessoas desaparecidas.
Agências espaciais e centros de processamento de dados de vários países uniram forças para compartilhar informações que possam ajudar nos esforços de recuperação. A NASA, por exemplo, ativou seu Sistema de Coordenação de Resposta a Desastres para identificar os pontos de maior risco na região.
