
O ex-governador Romeu Zema (Novo) rebateu as suspeitas sobre o desaparecimento de parte do acervo do Palácio das Mangabeiras, antiga residência oficial dos governadores de Minas Gerais, em Belo Horizonte. Deputados estaduais apontam a ausência de obras de arte, móveis, pratarias, louças, tapetes, livros e outros objetos que ficavam no imóvel.
A cobrança ganhou força após uma fiscalização da Comissão de Cultura da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Parlamentares pedem um inventário completo e querem saber onde estão os bens e em quais condições foram armazenados.
Zema afirmou acreditar que todo o acervo será localizado. Caso algum desvio de patrimônio público seja comprovado, defendeu a punição dos responsáveis.
“Com certeza vai ser tudo localizado e, se não for, que punam os culpados”, afirmou em entrevista ao quadro Café com Política, de O Tempo.
Fiscalização aponta ausência de móveis, obras e biblioteca
A inspeção no Palácio das Mangabeiras apontou a falta de objetos usados durante décadas por governadores mineiros. Entre os itens citados estão um aparador, uma mesa de jantar com capacidade para até 40 pessoas, equipamentos da cozinha profissional e uma biblioteca com 1.038 livros.
Deputados também cobram informações sobre tapetes, utensílios, pratarias, louças e mais de 40 quadros. Parte do mobiliário havia sido adquirida pelo ex-presidente Juscelino Kubitschek para a montagem de uma sala de cinema no imóvel.
A antiga sala usada para guardar presentes oficiais foi transformada em escritório. Segundo informações apresentadas durante a fiscalização, restaram no local uma mesa, duas poltronas, um sofá e um armário instalado em um quarto usado por funcionários.
O Palácio das Mangabeiras deixou de ser residência oficial em 2019, primeiro ano do governo Zema. O ex-governador decidiu não morar no imóvel e apresentou a mudança como uma medida para reduzir gastos e romper com privilégios ligados ao cargo. Desde então, o espaço passou a receber exposições e eventos culturais, como a CasaCor.
Zema diz confiar no controle dos bens
Zema afirmou confiar no Gabinete Militar, órgão responsável pelo controle do patrimônio dos palácios estaduais.
“Eu confio muito no Gabinete Militar, que é quem faz o controle desses bens. Se alguma coisa sumiu, que se puna quem se apropriou indevidamente de bens do Estado”, declarou.
O ex-governador também disse que parte do acervo foi levada para o Palácio da Liberdade e para a Biblioteca Pública do Estado.

Segundo ele, a estrutura do governo pode ter dificultado a localização imediata dos objetos.
“Como o Estado é muito grande, talvez eles não tenham sido localizados ainda”, afirmou.
Zema ainda atribuiu a repercussão do caso ao período eleitoral e disse que o governo dele não registrou casos de corrupção ou grandes escândalos.
Obras foram encontradas danificadas
A fiscalização ocorreu após o secretário de Estado de Cultura e Turismo, Leônidas Oliveira, afirmar à ALMG que parte do acervo foi encontrada danificada enquanto estava sob responsabilidade da Polícia Militar.
Entre as obras citadas estão trabalhos de Tarsila do Amaral e Di Cavalcanti.
Posteriormente, o governo informou que 44 obras de arte estavam sob responsabilidade do Gabinete Militar. Um biombo de quatro metros produzido por Di Cavalcanti foi encaminhado ao Museu Mineiro para restauração.
Outras 187 peças foram localizadas sob a guarda da Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge), enquanto o governo define uma destinação permanente para o material.
Deputados afirmam, porém, que os objetos identificados representam apenas parte do acervo que existia no Palácio das Mangabeiras.
Deputados acionam órgãos de controle
O deputado estadual Leleco Pimentel (PT), integrante da Comissão de Cultura, protocolou uma representação no Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG).
O parlamentar também anunciou que apresentará uma notícia-crime ao Ministério Público. A Comissão de Cultura informou que encaminhará uma representação à Polícia Federal.
Os deputados ainda pretendem cobrar do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG) e da Codemge o inventário dos objetos e a localização atual de cada peça.
Outro documento analisado pelos parlamentares registra a transferência de 63 itens de mobiliário decorativo para a Secretaria-Geral do Estado, mas não detalha quais bens foram destinados ao órgão.
O iG entrou em contato com o Governo de Minas, a Secretaria de Cultura, a Codemge, o deputado Leleco Pimentel e a Assembléia de Minas para pedir atualizações sobre o caso e aguarda retorno.
