PF aponta servidora Mariângela Fialek, a ‘Tuca’, como operadora do esquema de emendas atribuído a Valdemar Costa Neto


Mariângela Fialek, ex-assessora do deputado federal e ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL)
Reprodução/Linkedin
A investigação da Polícia Federal que resultou no bloqueio de R$ 119,2 milhões atribuídos ao ex-deputado Valdemar Costa Neto aponta que a servidora da Câmara dos Deputados Mariângela Fialek, conhecida como “Tuca”, ocupava posição central em um esquema de manipulação de emendas parlamentares.
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Segundo o relatório enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), Tuca era a “personagem principal” de um “arranjo funcional informal” criado para operacionalizar indicações de emendas em nome de Valdemar Costa Neto, que, por não exercer mandato parlamentar, não poderia indicar recursos do orçamento.
De acordo com a Polícia Federal, a servidora centralizava e organizava o fluxo das emendas e atuava seguindo orientações atribuídas ao ex-deputado.
Conexão com Valdemar Costa Neto
Segundo a investigação, mensagens obtidas pela Polícia Federal mostram que Mariângela era acionada por pessoas ligadas a Valdemar Costa Neto.
Entre elas está o advogado Garigham Amarante, apontado pela PF como pessoa de confiança do ex-deputado. Em uma das conversas analisadas, Garigham informa à servidora que Valdemar pretendia destinar cerca de R$ 24 milhões para a área do Turismo. Em seguida, segundo a investigação, Mariângela passa a organizar a alocação desses recursos.
A Polícia Federal afirma que o papel da servidora era ocultar a participação de Valdemar nas indicações. Para isso, segundo o relatório, listas encaminhadas aos ministérios eram alteradas para fazer constar deputados federais com mandato como solicitantes das emendas.
De acordo com os investigadores, o objetivo era impedir que o nome de Valdemar aparecesse nos documentos oficiais, já que ele não poderia indicar recursos orçamentários.
Planilhas e mensagens
A investigação afirma que a ligação entre Mariângela e Valdemar também aparece em planilhas apreendidas no celular e na sala de trabalho da servidora.
Segundo a PF, os documentos identificavam recursos como “do Valdemar” ou “do VCN”, referência às iniciais de Valdemar Costa Neto.
O relatório também cita mensagens de outra servidora, Nara Brum, informando a Mariângela dificuldades técnicas para alterar o destino de recursos e afirmando que “o Valdemar não aceitaria mudanças”, segundo a investigação.
Quem é Tuca
Mariângela Fialek é ex-assessora do deputado federal e ex-presidente da Câmara dos Deputados Arthur Lira (PP-AL).
Conhecida como Tuca, Mariângela trabalhou no gabinete de Lira entre março de 2021 e meados de 2025, quando passou a atuar na liderança do Progressistas (PP) na Casa, o partido de Lira.
A funcionária da Câmara foi alvo da Operação Transparência, deflagrada pela Polícia Federal, em, dezembro, para apurar irregularidades na destinação de verbas públicas de emendas parlamentares.
Segundo investigações da PF, ela exercia controle de “indicações desviadas de emendas decorrentes do orçamento secreto em benefício de provável organização criminosa voltada para a prática de desvios funcionais e crimes contra a administração pública e o sistema financeiro nacional”.
Decisão do STF
Ao analisar o caso, o ministro Flávio Dino classificou como “profano” o processo de indicação das emendas investigadas.
Com base nos elementos apresentados pela Polícia Federal, o STF determinou o bloqueio de R$ 119,2 milhões e suspendeu o pagamento das 21 emendas sob investigação.
Mariângela Fialek e outros servidores são investigados pelos crimes de peculato-desvio e associação criminosa.
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