Avião que caiu com pesquisadora alemã em Campo Grande tinha outro piloto no plano de voo


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O plano de voo do avião que caiu em 3 de julho, em Campo Grande, aponta que a aeronave deveria ser pilotada por Emerson Belaus, diretor da Amapil Táxi Aéreo. No entanto, quem conduzia o avião era Henrique Martin de Carvalho, de 42 anos. Ele e a pesquisadora alemã Lydia Theresia Möcklinghoff, de 45 anos, morreram no acidente.
As causas da queda são investigadas pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) e pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul.
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Segundo relatório preliminar do Cenipa, o avião perdeu o controle durante a subida inicial e caiu logo depois. O órgão informou que as causas do acidente só serão apontadas no relatório final.
A Polícia Civil investiga diferentes hipóteses. Uma delas é que o mau tempo e a baixa visibilidade tenham dificultado o voo e levado o piloto a tentar um pouso forçado.
O delegado Alexandro Mendes, responsável pelo inquérito no Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Dracco), informou que as primeiras testemunhas começaram a ser ouvidas. Segundo ele, o caso está sob sigilo e, por isso, novos detalhes não serão divulgados.
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O que é o plano de voo
O plano de voo é um documento preenchido antes da decolagem com as principais informações da operação.
O documento reúne informações como o piloto em comando, a identificação da aeronave, origem e destino, rota prevista, número de ocupantes e autonomia de combustível.
O documento é enviado ao Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), conforme as regras da aviação. A operação também pode ser fiscalizada pela Anac.
Pelas regras da aviação, o proprietário e o operador da aeronave devem garantir que o voo siga a legislação. Já o piloto em comando é responsável pela condução segura da aeronave e pelas informações registradas no plano de voo.
Especialista explica importância do documento
O perito em acidentes aeronáuticos da Associação Brasileira de Segurança de Aviação (Abravoo), Douglas Avedikian, afirma que o plano de voo deve ser atualizado sempre que houver qualquer mudança antes da decolagem.
Segundo o especialista, o documento tem duas funções principais: informar o sistema de controle do espaço aéreo e servir de referência para equipes de busca e investigação em caso de acidente ou desaparecimento.
“O plano de voo fornece informações importantes tanto para o gerenciamento do espaço aéreo quanto para orientar as buscas e a investigação, caso ocorra um acidente”, explicou.
Condições do voo
O avião decolou do Aeroporto Santa Maria, em Campo Grande, com destino a uma fazenda no Pantanal. A queda ocorreu poucos minutos depois.
Na manhã do acidente, um dos responsáveis pelo aeroporto informou à TV Morena que pelo menos três voos previstos para o mesmo período foram adiados por causa do mau tempo e da baixa visibilidade.
Segundo Douglas Avedikian, cabe ao piloto avaliar as condições meteorológicas antes da decolagem e decidir se o voo será feito pelas regras visuais ou por instrumentos.
O plano de voo indicava que a operação seria feita pelas Regras de Voo Visual (VFR), modalidade que exige boa visibilidade e condições meteorológicas favoráveis.
Já o voo por instrumentos (IFR) permite a navegação com base nos equipamentos da aeronave, mesmo em condições de baixa visibilidade.
Henrique Martin era habilitado como piloto pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) desde 2019 e tinha licença de piloto comercial emitida em março de 2021. Entretanto, a habilitação para voo por instrumentos em avião (IFRA) venceu em março de 2026.
Empresa e Anac se manifestam
A reportagem perguntou à Amapil Táxi Aéreo por que o plano de voo registrava Emerson Belaus como piloto em comando, e não Henrique Martin. Também questionou se as informações foram atualizadas antes da decolagem.
Por meio da advogada, a Amapil informou que colabora com as investigações do Cenipa e da Polícia Civil. A empresa disse que, em respeito aos familiares das vítimas e ao andamento da apuração, não comentará o caso neste momento.
A Anac informou que os dados do plano de voo são protegidos por sigilo e que não comenta acidentes aéreos antes da conclusão das investigações.
A agência informou que, se forem constatadas informações falsas ou incorretas em documentos como o plano de voo, poderão ser apuradas responsabilidades administrativas.
Segundo a Anac, se ficar comprovado que informações falsas foram inseridas de forma intencional para esconder a atuação de um piloto sem licença, habilitação ou Certificado Médico Aeronáutico (CMA) válido, o caso também poderá configurar crime. Nessa situação, a investigação cabe à Polícia Civil.
O Cenipa reiterou que só divulgará as causas do acidente após a conclusão do relatório final. O órgão não informou prazo para finalizar os trabalhos.
A TV Morena apurou que o corpo da pesquisadora alemã Lydia Theresia Möcklinghoff permanece em Campo Grande à espera do translado. O Governo de Mato Grosso do Sul informou que, a pedido da família, não divulgará detalhes sobre o processo de liberação do corpo.
Avião cai em Campo Grande
Arte g1
Avião cai em Campo Grande
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Lydia Möcklinghoff, pesquisadora alemã especialista em tamanduás-bandeira
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Henrique Martin morreu em queda de avião em Campo Grande.
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