
STF bloqueia R$119 milhões de Valdemar Costa Neto, presidente do PL
O STF – Supremo Tribunal Federal bloqueou R$ 119 milhões do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, por suspeita de desvio de emendas parlamentares.
A indicação de emendas é uma prerrogativa de deputados e senadores em exercício. Mas a Polícia Federal identificou que Valdemar Costa Neto, que é ex-deputado, contava com autonomia para direcionar esses recursos.
De acordo com a investigação, deputados federais eram falsamente apontados como “solicitantes” das indicações, a fim de conferir ares de legalidade. A PF identificou pelo menos 21 emendas, em um valor total de quase R$ 120 milhões, que teriam sido indicadas por Valdemar, entre junho de 2024 e março de 2026. A maioria já foi paga.
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A Polícia Federal pediu ao Supremo a suspensão dos pagamentos que ainda não foram feitos e o bloqueio de bens do presidente do PL no mesmo valor, para ressarcimento dos cofres públicos, caso a irregularidade seja confirmada. O ministro Flávio Dino, relator de ações sobre o pagamento de emendas, autorizou as medidas.
A decisão é um desdobramento de uma operação de dezembro de 2025 e que teve como alvo a servidora da Câmara dos Deputados Mariângela Fialek, conhecida como Tuca. Na época, foram apreendidos documentos, celulares e computadores dela. Foi a partir da análise do celular que a Polícia Federal identificou o que chamou de um arranjo funcional informal envolvendo servidores da Câmara. Segundo a investigação, Mariângela era a principal responsável pela distribuição das emendas de acordo com os interesses de Valdemar Costa Neto.
Supremo bloqueia R$ 119 milhões do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, por suspeita de desvio de emendas parlamentares
Jornal Nacional/ Reprodução
O arranjo contava ainda com a atuação de pelo menos mais dois servidores: Nara Brum e Garigham Amarante Pinto. A PF identificou uma troca de mensagens entre os servidores sobre o destino de R$ 24 milhões em emendas. No dia 25 de agosto de 2025, Garigham escreveu para Mariângela:
“Marquei com o Valdemar amanhã 10h30. Acho que ele vai jogar no turismo os 24. Pode ser?”.
No dia seguinte, Garigham cobrou de Mariângela: “Fechou o valor do Pres Valdemar?”. Mariângela respondeu: “Se puder trocar tudo turismo ótimo”. Garigham disse: “24 milhões tá bom”.
Horas depois, ele falou para Mariângela: “Voltei do VCN” – que, de acordo com a PF, é uma referência a Valdemar Costa Neto. Na sequência, Garigham enviou para ela uma mensagem temporária e também, segundo a PF, uma aparente lista contendo município, o CNPJ correspondente, boa parte acompanhada do nome Turismo.
Dois dias depois, Nara Brum enviou para Mariângela uma planilha intitulada “Alteração em Turismo – VCN”. Mariângela respondeu: “Já tenho”. Mas Nara, na sequência, explicou:
“Não, o Valdemar pediu para trocar algumas das indicações que ele fez ontem em turismo, porque os municípios não iriam conseguir executar”.
Em nota, os advogados de Valdemar Costa Neto negaram a prática de qualquer crime e afirmaram que é natural e legítimo, no sistema democrático, que um presidente partidário dialogue com parlamentares, defenda prioridades programáticas, articule interesses nacionais e regionais e influencie politicamente sua bancada.
A Polícia Federal destacou que “os três servidores da Câmara, de maneira irretorquível, têm plena consciência da clandestinidade dessa atuação e tratavam emendas como cotas privadas de agente estranho ao cargo”.
A defesa de Mariângela Fialek afirmou que a atuação da servidora foi estritamente técnica, apartidária e impessoal.
Garigham Amarante declarou que é técnico e não tem o que comentar.
O Jornal Nacional não conseguiu contato com Nara Brum.
GloboPop: clique para ver os vídeos do palco do Jornal Nacional
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