Mercado pet na China cresce com restaurantes, hotéis e serviços exclusivos para cães


Mercado pet bilionário reflete nova cara da sociedade urbana na China
A relação dos chineses com os animais de estimação ganhou novos espaços nos centros urbanos do país. Em Xangai, uma ilha foi criada para receber cães e seus tutores, com atividades, restaurante e hospedagem.
O espaço oferece provas com obstáculos, corridas de barco e outras brincadeiras para os animais. Os participantes recebem carimbos durante as atividades, que podem ser trocados por brindes para os cães.
Além das atividades, a ilha também tem uma área de hospedagem. Os tutores podem alugar cabanas para passar o fim de semana com os animais.
“Eu vi pela primeira vez na internet. Meus cachorros adoram, ficam bem confortáveis”, afirma uma frequentadora.
Uma das funcionárias do local conta que tem 12 cachorros que foram resgatados das ruas e que começou a trabalhar no espaço depois do convite de um amigo.
Espaço oferece provas com obstáculos, corridas de barco e outras brincadeiras para os animais
Reprodução/Fantástico
Restaurante com menu para cachorros
Depois das atividades, os cães também têm um restaurante próprio. O cardápio é inspirado na culinária francesa e tem aperitivos, pratos principais e sobremesas.
Entre as opções está um tartar de atum. O restaurante também oferece sobremesas, como um petit gateau feito de iogurte.
Atividades de cães e seus tutores com direito a premiação
Reprodução/Fantástico
O chef responsável pelo local explica que os pratos são preparados sem sal e sem açúcar. Nas sobremesas, é usado um pouco de mel.
“Os pratos são parecidos com os dos humanos, mas sem sal, nem açúcar. E nas sobremesas, colocamos um pouco de mel”, afirma o chef.
A mudança na relação dos chineses com os pets
A ligação dos chineses com os cachorros tem raízes antigas. O chow-chow, conhecido como cachorro-leão de língua azul, surgiu a partir de uma mistura de lobos criada no campo. O pequinês era um animal associado aos imperadores.
Com a Revolução Comunista, os pets passaram a ser vistos como um símbolo da burguesia. Décadas depois, o mercado de animais de estimação voltou a crescer.
Na China, o setor triplicou nos últimos dez anos e movimenta o equivalente a R$ 240 bilhões por ano. O crescimento também mudou a rotina de profissionais que trabalham com animais.
A veterinária Gu Yongmei conta que começou trabalhando com animais grandes, mas passou a atuar com pets diante da mudança no país.
“Na minha época, era o Estado que escolhia a profissão. Me colocaram em Medicina Veterinária. Comecei a trabalhar com animais grandes, mas a China mudou. Cada vez mais gente tem pet, e tratamentos chineses começaram a ser aplicados neles”, afirma.
Pets como família em uma sociedade em transformação
O crescimento do mercado pet também aparece em novos serviços. Há pessoas que matriculam seus animais em escolas particulares, onde eles podem participar de atividades e socialização.
Uma tutora conta que adotou sua cachorra depois de encontrá-la amarrada em uma árvore.
“Encontrei ela amarrada numa árvore. Adotei em 2012. Meus cachorros são meus bebês”, afirma Caroline Zhang.
Para a veterinária, a melhora das condições de vida mudou a forma como os chineses enxergam os animais.
Veterinária diz que melhora das condições de vida mudou a forma como os chineses enxergam os animais
Reprodução/Fantástico
“Com a melhora das condições de vida aqui, a relação dos chineses com seus pets mudou. Eles os tratam como família”, afirma.
O empresário Eric Xiang também considera o cachorro parte da família. Ele gasta o equivalente a R$ 4 mil por mês com o animal, que também participa de desfiles de moda.
“Este aqui é o meu filho. Acho que, hoje em dia, as pessoas querem que os cães sejam cada vez mais parecidos com a gente”, afirma.
Para ele, cuidar de um cachorro é diferente de criar uma criança.
“Eu consigo cuidar do meu cachorro e protegê-lo dentro de casa. Já um filho… uma hora vai ter que ser independente e encarar o mundo.”
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