Arquidiocese de Brasília confirma excomunhão de padre e igreja de Ceilândia por ligação a grupo cismático


Papa Leão XIV enfrenta crise com grupos tradicionalistas
A Arquidiocese de Brasília divulgou uma nota, nesta segunda-feira (13), confirmando a excomunhão do padre Françoá Rodrigues Figueiredo Costa e da Capela Santo Atanásio, em Ceilândia.
O padre e a igreja foram excomungados pelo Vaticano por aderirem à Fraternidade Sacerdotal São Pio X — grupo de católicos ultraconservadores que desafiou o papa Leão XIV, da Igreja Católica. O Vaticano declarou que todos os padres e os católicos que “aderem formalmente” ao grupo encontram-se agora em cisma e excomungados.
🔎 “Cisma” é o termo utilizado para indicar uma ruptura grave e formal no seio da comunidade católica.
Na nota, a Arquidiocese de Brasília afirma que celebrações, atividades pastorais, iniciativas de formação ou demais atos promovidos na Capela Santo Atanásio são considerados irregulares e devem ser “terminantemente evitadas pelos fiéis, em razão do grave risco de gradual aderência ao mesmo cisma e excomunhão”.
Ainda de acordo com a nota da arquidiocese, os fiéis devem:

“conservar e progredir na comunhão com o Romano Pontífice e com o Colégio Episcopal, visibilizada, nesta Igreja particular, na comunhão com o Arcebispo Metropolitano, pois a unidade e a comunhão com a Igreja manifestam-se, inseparavelmente, pela profissão da mesma Fé, pela celebração dos mesmos Sacramentos e pela submissão aos legítimos Pastores”;
“aderir ao Magistério vivo da Igreja como expressão da verdadeira fidelidade à Tradição da mesma Igreja, e a evitarem quaisquer contextos ouou ambientes em que se proponha, implícita ou explicitamente, a ruptura prática da unidade e da comunhão como condição para uma, assim defendida, ‘fidelidade mais perfeita à Igreja'”.
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‘Em cisma’
Capela Santo Atanásio
Reprodução/Google Maps
Segundo o Vaticano, a Fraternidade São Pio X está oficialmente “em cisma” com a Igreja Católica, o que significa que a entidade foi oficialmente separada da ordem da Igreja.
A decisão foi anunciada um dia após a fraternidade desafiar o papa Leão XIV ao ordenar quatro bispos sem autorização da Santa Sé, em uma cerimônia realizada em Écône, na Suíça, considerada pelo Vaticano um “ato cismático”.
➡️ A Fraternidade São Pio X defende o retorno das missas em latim e rejeita parte das reformas adotadas pelo Vaticano há mais de 60 anos.
Além da excomunhão dos bispos, o Vaticano advertiu os católicos de todo o mundo que a Fraternidade São Pio X agora celebra sacramentos de forma ilícita e não pode oficiar casamentos nem ouvir confissões com validade perante a Igreja Católica.
A Santa Sé também afirmou que os padres e fiéis leigos que aderirem ao grupo ultraconservador dissidente passam a ser considerados em situação de cisma e excomungados.
Grupo rejeita reformas da Igreja
Consagração cismática de bispos realizada pela Sociedade de São Pio X (SSPX), grupo católico tradicionalista, em Ecône, no oeste da Suíça, em 1º de julho de 2026.
AFP
A Fraternidade São Pio X reúne católicos tradicionalistas que defendem a reversão de mudanças promovidas pelo Concílio Vaticano II.
Entre as principais bandeiras do grupo estão o retorno das missas em latim, celebrações com o padre voltado para o altar — de costas para os fiéis — e a rejeição de parte das reformas litúrgicas e pastorais adotadas pela Igreja nas últimas décadas.
A decisão do Vaticano marca uma nova escalada na crise entre a Santa Sé e a Fraternidade São Pio X, considerada o maior grupo dissidente do catolicismo tradicionalista.
O que defende a Fraternidade São Pio X?
Consagração cismática de bispos realizada pela Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX) em Ecône, no oeste da Suíça, em 1º de julho de 2026
FABRICE COFFRINI / AFP
Fundada em 1970 pelo bispo francês Marcel Lefebvre, a Fraternidade São Pio X surgiu em oposição às mudanças promovidas pelo Concílio Vaticano II, realizado entre 1962 e 1965.
O concílio marcou uma das maiores reformas da história recente da Igreja Católica. Entre as mudanças, as missas deixaram de ser obrigatoriamente celebradas em latim e passaram a ser realizadas na língua de cada país. Os padres também passaram a celebrar voltados para os fiéis, e a Igreja ampliou o diálogo com outras religiões.
A fraternidade, porém, considera que essas reformas descaracterizaram a tradição católica. O grupo defende a preservação da liturgia anterior ao Concílio Vaticano II e uma interpretação mais rígida da doutrina da Igreja.
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