Poeira de mineração em Congonhas: prefeitura já tinha avisado empresas sobre risco e cobrado medidas, diz secretário


Prefeitura manda mineradoras paralisarem atividades após nuvens de poeira em Congonhas
As mineradoras foram avisadas cerca de duas semanas antes sobre a possibilidade de formação de uma nuvem de poeira neste domingo (12), em Congonhas, na Região Central de Minas Gerais, mas não adotaram as medidas de prevenção necessárias para evitar a situação, de acordo com o secretário municipal de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, João Luís Lobo.
Segundo ele, a previsão era de umidade do ar muito baixa e de ventos fortes, condições favoráveis para o aumento da poeira. Por isso, as empresas haviam sido orientadas a reduzir as atividades durante o dia, no domingo, e a umidificar as vias.
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“As empresas já sabiam há mais de duas semanas, pelo menos, que no domingo ia ocorrer esse episódio grave. Fizemos mais de quatro reuniões, cinco reuniões, oficiamos as empresas várias vezes para que elas se prevenissem desse fato. […] Para ter chegado ao ponto que chegou ontem, com certeza isso não foi feito”, afirmou o secretário.
De acordo com ele, os índices de poeira e material particulado alcançaram um nível quase quatro vezes maior do que o limite previsto no Brasil, o que levou a prefeitura a determinar a paralisação temporária das atividades das mineradoras CSN, Vale, Ferro+ e Gerdau, na tarde de domingo. A retomada das operações já foi autorizada.
“A paralisação veio muito nesse sentido. Já que vimos que as empresas não conseguiram mitigar, a medida que se impunha era de fato paralisar as atividades”, disse Lobo.
Esta não foi a primeira vez que Congonhas ficou tomada por poeira relacionada à mineração. O problema se repete praticamente todos os anos, no período seco.
O g1 noticiou a formação de nuvens de poeira na cidade em julho de 2020, agosto de 2021 e julho e agosto de 2023. Em setembro de 2025, mineradoras chegaram a interromper as atividades por causa do problema.
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O que dizem as empresas
Em nota, a CSN afirmou que “interrompeu temporariamente e preventivamente suas operações, focando suas atividades no reforço das ações de controle de poeira, com intensificação da umectação de vias e áreas expostas por meio de sistemas de aspersões fixas e móveis, aplicação de polímeros, fechamento de vias internas e acompanhamento contínuo das condições climáticas e ambientais”.
A Vale disse que recebeu comunicação da Prefeitura de Congonhas sobre emissão de particulados, mas destacou que suas atividades operacionais nas minas de Viga e Fábrica “já se encontravam suspensas em decorrência do extravasamento ocorrido em janeiro de 2026”.
A Gerdau declarou que “não possui operações de mineração no município de Congonhas e que, portanto, não há qualquer indício de relação das suas atividades com a informação do material particulado lançado na atmosfera da cidade”. A empresa afirmou que sua operação em Ouro Preto “é distante dos limites do município de Congonhas”.
O g1 entrou em contato com a Ferro+, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.
Ventos fortes e poeira levam prefeitura a paralisar atividades de mineradoras.
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