
O poste giratório listrado de branco, vermelho e azul esconde uma origem mais sangrenta do que aparenta. O objeto cilíndrico, plantado na porta de tantas barbearias mundo afora, remonta à Idade Média europeia e não nasceu ligado a cortes de cabelo, mas, sim, a cirurgias e sangramentos.
Naquela época, os barbeiros faziam bem mais do que aparar barbas e cortar cabelos. Muitos profissionais também extraíam dentes, realizavam pequenas cirurgias e praticavam sangrias, procedimento em que se retirava sangue do paciente na crença de que isso curava doenças.

A explicação estava na própria estrutura da sociedade medieval: os médicos formados costumavam ser monges, proibidos pela Igreja Católica de manusear instrumentos cortantes. Essa tarefa acabou sobrando para quem já tinha prática com lâminas afiadas no dia a dia, os barbeiros.
Para anunciar esse tipo de serviço numa época em que boa parte da população não sabia ler, os barbeiros penduravam do lado de fora do estabelecimento as ataduras usadas nos procedimentos, ainda manchadas de sangue.

Foi esse hábito que deu origem ao formato espiral do Barber Pole e às suas cores clássicas: o branco representava as ataduras limpas, enquanto o vermelho simbolizava as que ficavam sujas de sangue depois da sangria.
O Barber Pole só chegou aos Estados Unidos tempos depois, onde ganhou a terceira cor. O azul entrou no design tanto para diferenciar os postes americanos dos modelos europeus quanto para representar o sangue venoso, já que o vermelho já estava reservado ao sangue arterial.

Apesar disso, há historiadores que apontam também uma segunda explicação: o azul seria uma homenagem às cores da bandeira norte-americana.

O movimento giratório, considerado o principal chamariz visual do poste, também tem explicação histórica: ele reproduz o efeito das ataduras balançando ao vento enquanto secavam presas ao mastro, detalhe que os fabricantes decidiram simular mecanicamente conforme a tradição foi se popularizando.

Com o avanço da medicina e a separação formal entre cirurgiões e barbeiros, que começoua ganhar força na Inglaterra a partir do século XVI, a prática de sangria foi definitivamente abandonada pelos salões. Mesmo assim, o Barber Pole sobreviveu como símbolo e até hoje aparece na porta de barbearias.
