Mais de 90 pessoas compram vila abandonada na Itália

Vila Borgo Batone, na ItáliaReprodução/Instagram/@borgo_batone

Uma vila abandonada na região da Toscana, na Itália, está ganhando uma nova vida graças a um projeto coletivo criado por mais de 90 pessoas de diferentes países.

Borgo Batone fica na cidade de Pescaglia e tem 17 construções históricas espalhadas por uma área de 25 hectares. O vilarejo fica no alto de uma colina, cercado por florestas e olivais nos Alpes Apuanos, a cerca de 20 minutos da cidade de Lucca e aproximadamente meia hora das praias de Viareggio e Forte dei Marmi.

A ideia começou em 2021, depois que o arquiteto alemão Patric Meier, a historiadora Katrin Frische, o fotógrafo Massimo Fiorito e a diretora de arte Narcisa Fluturel conheceram a vila. O grupo decidiu preservar o local em conjunto e criar uma comunidade para cuidar da recuperação do lugar.

Em vez de vender cada imóvel separadamente, os fundadores do projeto decidiram transformar todo o vilarejo em uma propriedade compartilhada. Hoje, o projeto tem 92 grupos de membros e pretende chegar ao limite de 99.

Vila Borgo Batone, na ItáliaReprodução/Instagram/@borgo_batone

Antigos moradores deixaram a vila

A história do vilarejo pode ter começado há cerca de dois mil anos. Segundo os organizadores, o nome Borgo Batone pode ser uma referência a um militar romano chamado Bato. A maior parte das construções atuais foi erguida entre o fim da Idade Média e o período do Renascimento.

Durante séculos, a região foi ocupada por famílias que cultivavam uvas e oliveiras. A partir da década de 1960, os moradores começaram a deixar o local em direção às cidades, enquanto as gerações mais velhas morreram. Com o tempo, as casas ficaram abandonadas.

Antes de começar a ser restaurado, Borgo Batone estava quase vazia. Segundo Katrin Frische, em entrevista à revista alemã Spiegel, o antigo proprietário comprou, ao longo dos anos, as casas que ficaram desocupadas depois que os moradores deixaram a região.

A residência principal é a Villa Barsotti, uma mansão típica da região de Lucca construída no século 16. Considerada o coração da comunidade, ela reúne áreas comuns, como cozinha, salão principal, quartos, jardins, piscina, pomar, horta e espaços de convivência compartilhados pelos integrantes do projeto.

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Vila Borgo Batone, na ItáliaReprodução/Instagram/@borgo_batone

Como funciona a vila

O projeto funciona com um sistema de propriedade compartilhada. Em vez de comprar uma casa específica, cada integrante compra uma participação em todo o vilarejo.

Para entrar na comunidade, é preciso fazer um investimento inicial de 50 mil euros, cerca de R$ 300 mil. O valor funciona como um empréstimo para a cooperativa responsável pela administração da vila, e não como a compra de um imóvel.

Os membros ajudam a pagar as despesas anuais de manutenção. Em troca, recebem créditos internos chamados “Batonis”, usados para reservar períodos de hospedagem.

Vila Borgo Batone, na ItáliaReprodução/Instagram/@borgo_batone

Os créditos podem ser usados de acordo com o tamanho e o padrão dos quartos disponíveis. A expectativa é que cada participante possa passar entre 25 e 50 noites por ano na vila. Caso não utilize todos os créditos, eles podem ser doados, transferidos, trocados ou vendidos.

A maioria dos participantes é da Alemanha, mas o grupo também conta com italianos, austríacos, franceses e suíços. 

Segundo Frische, muitas famílias participam da iniciativa e costumam levar filhos e netos para passar temporadas no lugar. Com acompanhantes, a comunidade poderá reunir entre 200 e 250 pessoas, embora nem todas estejam na vila ao mesmo tempo.

Segundo os organizadores, os integrantes não são só investidores. Eles participam de mutirões, grupos de trabalho, encontros da comunidade e decisões sobre o futuro da vila, ajudando a construir tanto a recuperação física quanto a cultura do lugar.

Modelo de hotel italiano

A recuperação de Borgo Batone segue um modelo semelhante ao Albergo Diffuso, um tipo de hospedagem criado na Itália em que os quartos ficam em diferentes construções de uma mesma vila, funcionando como um único hotel.

Depois das reformas, a expectativa é que o espaço possa receber até 80 pessoas ao mesmo tempo. A proposta é transformar o vilarejo em um local para encontros familiares, atividades culturais e períodos de descanso em meio à natureza.

Vila Borgo Batone, na ItáliaReprodução/Instagram/@borgo_batone

O projeto foi apresentado durante um evento realizado em Pescaglia e recebeu apoio da prefeitura. Segundo o prefeito Andrea Bonfanti, o município não investe dinheiro na iniciativa, mas considera que ela pode ajudar a recuperar áreas rurais abandonadas e incentivar o turismo, informou o jornal italiano La Nazione.

Desde o início, os organizadores buscaram aproximar o projeto da população local para evitar que a vila se tornasse um espaço exclusivo para os participantes.

Um dos principais pontos de encontro é uma fonte de água considerada medicinal, localizada dentro da propriedade e que continua sendo usada pelos moradores da região. Segundo Frische, o local acabou se tornando um espaço de convivência entre a comunidade e os visitantes.

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