Rio atmosférico associado ao El Niño traz condições extremas

Tempestade de Neve na Cordilheira dos AndesReprodução: 10.07.2022

Uma condição meteorológica, impulsionada pelo El Niño, está avançando pelo Oceano Pacífico, em direção à América do Sul, e vai provocar um dos períodos de instabilidades mais severos já registrados nos últimos anos no Chile.

O fenômeno, chamado de rio atmosférico, traz chuva volumosa, ventos fortes, tempestades e nevadas intensas. Ele deve atingir a Cordilheira dos Andes e a previsão é para essa semana, a partir desta terça-feira (14), e podem trazer até seis dias consecutivos de chuva.

O rio atmosférico é impulsionado pelo primeiro grande evento de tempo severo associado ao Super El Niño previsto para 2026 e 2027.

A condição deve trazer grandes volumes de vapor d’água do Pacífico até a costa oeste da América do Sul.

O fenômeno deve atingir principalmente as regiões de Coquimbo, Valparaíso, Região Metropolitana de Santiago, O’Higgins, Maule, Ñuble e Biobío. A instabilidade deve causar impactos também em uma faixa ainda mais ampla do território chileno, podendo chegar ao Atacama até o extremo sul do país.

Além disso, conforme as previsões, diversas regiões chilenas podem registrar entre cinco e seis dias consecutivos de chuva.

A condição favorece a formação de temporais isolados, com chuva intensa em curto período, grandes acumulados de água, descargas elétricas e possibilidade de granizo.

A previsão também indica rajadas de vento entre 70 km/h e 100 km/h nas áreas costeiras. Na Cordilheira dos Andes, os ventos podem ultrapassar os 100 km/h.

Além disso, é esperada uma forte nevada na Cordilheira dos Andes. Os acumulados podem variar entre 50 e 90 centímetros de neve em trechos entre Valparaíso e Biobío, além de volumes expressivos na região de Coquimbo.

O governo chileno se prepara para possíveis impactos. A Direção Meteorológica do Chile emitiu alertas para precipitações moderadas a fortes e o Serviço Nacional de Prevenção e Resposta a Desastres colocou diversas regiões em estado de alerta.

No extremo sul do Chile, por exemplo, há alerta para nuvens convectivas tornádicas, fenômeno que pode provocar trombas-marinhas, nuvens funil e até tornados localizados.

O governo também monitora o risco de alagamentos, transbordamento de rios, deslizamentos de terra, falhas no fornecimento de energia elétrica e bloqueios em passagens internacionais com a Argentina, por causa das condições climáticas severas.

Rio Atmosférico

O rio atmosférico é um fenômeno meteorológico formado por um corredor estreito e concentrado na atmosfera, responsável pelo transporte de grandes volumes de vapor de água.

A condição atinge desde regiões tropicais até latitudes mais altas e é importante para o ciclo hidrológico global.

De acordo com os dados da Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera (NOAA) dos Estados Unidos, elas geralmente se formam sobre os oceanos e causam chuvas intensas ou nevascas ao colidir com cadeias de montanhas.

O sistema ocorre frequentemente no Chile e na Costa Oeste dos Estados Unidos.

O corredor de umidade que deve atingir o território chileno nos próximos dias pode ser classificado entre as categorias 4 e 5, a mais alta da escala usada para classificar rios atmosféricos.

Super El Niño

O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial — ou seja, próximo à linha do Equador. Geralmente, ocorre num intervalo de cinco a sete anos e pode durar entre um ano e dois anos, iniciando-se por volta do mês de dezembro.

Comumente, a temperatura varia entre 2 ºC e 3,5 ºC, levando em consideração que, em condições normais, a temperatura das águas superficiais do Pacífico é de 23 ºC.

Com o aquecimento acima da média do Pacífico, altera-se a circulação atmosférica e, consequentemente, os níveis de chuva e as temperaturas em vários locais do planeta.

Segundo dados da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), em 2026, o fenômeno já alcançou o patamar de Super El Niño, quatro meses antes do observado em eventos históricos, aumentando as preocupações sobre a intensidade dos impactos climáticos nos próximos meses.

Segundo o Índice Oceânico Niño (ONI), utilizado internacionalmente para monitorar o fenômeno, a anomalia da temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4 chegou a +2,0°C, limite que caracteriza um El Niño de intensidade muito forte.

Caso as projeções se confirmem, este poderá ser um dos episódios mais intensos já registrados desde o início das medições modernas, com potencial para ampliar eventos extremos de chuva, tempestades, secas e ondas de calor em diferentes regiões do planeta.

O atual episódio chama atenção pelo momento em que atingiu a categoria de Super El Niño.

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