
Cinco GCMs são investigados por tortura, ameaças e sequestro de casal
Cinco guardas civis municipais de Santa Helena de Goiás se tornaram réus por tortura, sequestro e ameaça contra duas pessoas após invadirem uma casa, na região sudoeste de Goiás. A Justiça recebeu a denúncia do Ministério Público de Goiás (MPGO) e determinou a suspensão do exercício da função pública por parte dos denunciados.
O crime ocorreu em 11 de março deste ano, quando os agentes municipais adentraram na residência localizada no Bairro Brasil sem determinação judicial para procurar por drogas.
À TV Anhanguera, a defesa de Camila Maria Soares, Dieilis Ronieli Serpa, Huan Felipe de Castro Batista, Johnathan Ramon Freitas Alves e Matheus Souza Rabelo informou que o recebimento da denúncia apenas marca o início da ação penal e não representa uma condenação. Afirmou ainda que irá contestar as acusações ao longo do processo.
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Em nota ao g1, a Guarda Civil Municipal de Santa Helena de Goiás confirmou o afastamento dos servidores e afirmou que instaurou um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para apurar a conduta dos envolvidos (leia na íntegra ao final do texto).
A Associação das Guardas Civis do Estado de Goiás (AGCGO) manifestou “absoluta confiança na idoneidade, na conduta funcional e no histórico profissional dos Guardas Civis envolvidos, profissionais que dedicam suas vidas à proteção da população, ao combate à criminalidade e à preservação da ordem pública” (leia na íntegra ao final do texto).
A denúncia foi recebida no dia 9 de julho pela juíza Thalene Brandão Flauzino de Oliveira, que também determinou que os envolvidos não mantenham qualquer tipo de contato com as vítimas ou seus familiares.
No documento, o Ministério Público pediu a condenação dos guardas, a perda dos cargos públicos, a interdição para o exercício de funções públicas e o pagamento de indenização mínima de R$ 50 mil às vítimas.
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Entenda o caso
Homem torturado pela Guarda Civil Municipal de Santa Helena de Goiás
Arquivo pessoal/Rosemere Oliveira
Segundo o Ministério Público, na madrugada de 11 de março, guardas civis municipais invadiram, sem autorização judicial, a casa onde estava um casal de amigos após receberem, por meio de uma mensagem de WhatsApp, uma denúncia de tráfico de drogas na região.
Ainda conforme a denúncia, dentro do imóvel a mulher foi submetida a intenso sofrimento físico e psicológico. Ela teria sido arrastada e agredida com coronhadas no rosto para revelar onde estavam as drogas. O homem, por sua vez, foi algemado, teve o rosto coberto com um pano e sofreu sucessivos espancamentos e episódios de asfixia até perder a consciência. De acordo com o Ministério Público, ele foi reanimado com água para que as agressões continuassem.
O MPGO afirmou que, ao presenciar as ameaças e agressões contra a mulher, o homem indicou aos guardas onde estavam algumas pedras semelhantes a crack, que foram entregues aos agentes.
Na sequência, segundo a denúncia, três guardas utilizaram uma viatura que estava oficialmente fora de operação para levar o homem até uma área de mata. No local, as agressões teriam continuado até que um dos denunciados efetuou um disparo próximo ao ouvido da vítima e tentou atirar novamente, mas a arma falhou. O homem conseguiu fugir pela vegetação.
A denúncia também destacou que a mulher foi ameaçada para que não informasse o caso às autoridades.
Ao g1, a advogada das vítimas, Rosemere de Oliveira Santos, afirmou que o homem enfrenta dificuldades após o ocorrido. Segundo ela, ele relatou que perdeu a visão de um dos olhos e precisou deixar a cidade por temer represálias.
“Ele me falou que nem tá enxergando de um olho e teve até que sair da cidade por conta das pessoas indo atrás dele”, afirmou.
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