
Moradores protestam por morte de pastor após ser baleado em abordagem da PM na Zona Leste de SP
Pelo segundo dia consecutivo, moradores do Jardim São Francisco, na Zona Leste de São Paulo, protestaram na noite desta terça-feira (14) contra a morte do pastor José Carlos da Rocha Sobrinho durante uma abordagem de policiais das Companhia de Ações Especiais de Policia Militar (Caep).
Os manifestantes atearam fogo em um carro e em caçambas de lixo na Avenida José de Alencar Gomes da Silva. Eles também escreveram a palavra “Justiça” em uma das ruas da região.
Equipes do Corpo de Bombeiros foram acionadas para combater os incêndios. A Polícia Militar também foi chamada e acompanha a manifestação.
Moradores protestam por morte de pastor após ser baleado em abordagem da PM na Zona Leste de SP
TV Globo
Morte de pastor
Segundo o boletim de ocorrência, José Carlos foi baleado por volta das 18h30 na Rua Vagner Araújo, no mesmo bairro.
De acordo com o registro policial, os agentes faziam patrulhamento de rotina em uma região conhecida por ser destino de muitos carros roubados, quando avistaram o veículo dirigido por José Carlos.
Ainda segundo o relato dos policiais, foi dada ordem de parada, mas o motorista tentou fugir. Os agentes afirmam que se aproximaram do veículo e que José Carlos sacou uma arma. Em seguida, efetuaram os disparos.
Moradores protestam por morte de pastor após ser baleado em abordagem da PM na Zona Leste de SP
TV Globo
José Carlos foi atingido no pescoço, na nuca e na coxa direita. Ele chegou a ser socorrido, mas morreu no hospital. Os policiais também afirmam que apreenderam uma pistola com o pastor.
No boletim de ocorrência, registraram ainda que ele possuía antecedentes criminais e seria integrante da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). A família, no entanto, contesta a versão da PM (leia mais abaixo).
Por meio de nota, o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) disse que “investiga a morte de um homem durante abordagem policial no bairro São Rafael, zona leste de São Paulo, na noite de segunda-feira (13)”.
A morte do pastor José Carlos da Rocha Sobrinho, baleado durante uma abordagem da PM, gerou protestos na Avenida dos Sertanistas, na noite desta segunda-feira (13).
Reprodução/Redes Sociais
Segundo a PM, o homem teria apontado uma arma contra os agentes, que intervieram. Ele foi socorrido ao Pronto-Socorro de Sapopemba, mas não resistiu.
Uma pistola com munições foi apreendida. Segundo o boletim de ocorrência, os agentes estavam equipados com câmeras corporais, e o protocolo de uso dos equipamentos será apurado.
O caso também é acompanhado pela Corregedoria da Polícia Militar, de acordo com a Secretaria da Segurança Pública de SP (SSP).
Versão da família e de testemunhas
Pastor morre após ser baleado em abordagem da PM na Zona Leste de SP; moradores fazem protesto e contestam versão dos policiais
Segundo parentes, José Carlos era pastor havia anos, tinha acabado de deixar uma irmã na igreja e estava voltando para casa quando foi abordado.
Testemunhas também questionam a versão apresentada pelos policiais. Em entrevista, uma delas afirmou que não houve troca de tiros. “O cara é da igreja, irmão”, disse uma testemunha ao ser questionada se houve confronto.
A TV Globo esteve na Rua Vagner Araújo, onde ocorreu a abordagem. A via é de terra e tem pouca infraestrutura. Uma testemunha, que preferiu não se identificar por medo da polícia, afirmou que a viatura da PM já estava na região antes da abordagem.
Segundo o relato, os policiais estavam parando pessoas e fazendo abordagens quando permaneceram no ponto em que José Carlos foi baleado.
“[A viatura] já estava no local. Parando algumas pessoas, perguntando, tudo certinho. Aí depois eles pararam no local onde a vítima foi baleada e ficaram um bom tempo ali. Parecia que estavam, realmente, esperando ele passar.”
A mesma testemunha afirmou que José Carlos foi abordado e conversou com os policiais antes dos disparos. “Ficaram uns 15, coisa de 15, 20 minutos conversando, antes de escutar os disparos dentro de casa.”
Segundo o relato, cerca de cinco minutos após a testemunha entrar em casa, foram ouvidos cinco disparos.
“A gente até o viu chegando, mas aí a gente pensou que era abordagem normal. Então a gente entrou. Aí depois que a gente entrou, passaram cinco minutos. Cinco disparos. Certinho. Direto, a gente escutou. Aí a gente já correu aqui para fora. Quando saí na porta, os policiais estavam cercando o carro [do pastor].”
Questionada sobre a versão dos policiais, de que José Carlos teria apontado uma arma para a viatura da PM, a testemunha respondeu: “Não. O que a gente viu foram cinco disparos direto.”
O boletim de ocorrência informa ainda que as câmeras corporais dos policiais só foram acionadas depois dos disparos. A Polícia Civil ainda não teve acesso às imagens.
Moradores afirmam ainda que, após os tiros, os policiais passaram pelas casas da região procurando câmeras de segurança.
Uma testemunha relatou que os agentes permaneceram no bairro até a madrugada.
Questionada se os policiais procuravam câmeras, respondeu: “Atrás de câmera. Eles entraram dentro dos matos da região procurando por algo, com lanterna. Depois, eles ficaram de casa em casa, com lanterna, olhando os batentes da casa, vendo se achavam algum tipo de câmera.”
