Açúcar é achado no espaço e pode revelar origem da vida; entenda

Açúcar foi encontrado pela primeira vez na história no espaço sideralDivulgação/Izaskun Jimenez-Serra

Uma equipe de astrônomos encontrou açúcar fora do Sistema Solar pela primeira vez na história. A substância, chamada eritrulose, apareceu numa nuvem de gás e poeira perto do centro da Via Láctea, a 26 mil anos-luz da Terra. O estudo saiu nesta segunda-feira (13) na revista Nature Astronomy.

A molécula tem quatro átomos de carbono e pertence à mesma família de açúcares essenciais à vida, como a desoxirribose do DNA e a ribose do RNA. Na Terra, ela existe em frutas vermelhas, como o morango e a framboesa.

Cientistas já haviam registrado algo parecido no espaço, o glicolaldeído, mas a substância não se enquadra tecnicamente como açúcar. Os dados foram captados através de dois radiotelescópios espanhóis. 

Izaskun Jimenez-Serra, astroquímica responsável pelo estudo que encontrou açúcar no espaço sideral pela primeira vez na históriaDivulgação/Fundación Ramón Areces

Izaskun Jiménez-Serra, astrônoma do Centro de Astrobiologia da Espanha e autora principal da pesquisa, descreve o trabalho de achar essa molécula específica como tentar ouvir uma única voz no meio de uma multidão gritando ao mesmo tempo.

O processo foi demorado: são centenas de substâncias diferentes emitindo sinal de rádio na mesma nuvem. Para confirmar que era mesmo eritrulose, a equipe comparou o sinal captado com medições feitas em laboratório e catalogou outras 180 moléculas presentes no gás.

A descoberta reabre uma discussão que astrônomos vêm tendo há tempos: será que parte dos ingredientes químicos da vida na Terra teria vindo de fora do planeta?

A ideia da equipe é que moléculas como essa se formaram antes mesmo do Sol existir, ainda na nuvem que originou o Sistema Solar, e depois chegaram até aqui grudadas em cometas e asteroides.

Segundo a estimativa dos pesquisadores, até 50 milhões de toneladas de eritrulose podem ter caído na Terra primitiva durante o Bombardeio Pesado Tardio, era de queda intensa de cometas entre 4,1 e 3,8 bilhões de anos atrás.

Adicionar aos favoritos o Link permanente.