
O Brasil tem sítios arqueológicos espalhados por várias regiões. Alguns concentram pinturas rupestres e outros marcam áreas funerárias, mas, juntos, eles ajudam a reconstruir períodos distintos da ocupação humana no território.
O iG entrevistou o arqueólogo Anderson Tognoli, doutor pelo Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo (USP), para explicar em detalhes a importância dos sítios arqueológicos brasileiros. Segundo o acadêmico, um dos conjuntos mais icônicos fica na Serra da Capivara, no Piauí.

O parque, criado em 1979, reúne uma grande quantidade de sítios do período pré-colonial. Segundo Tognoli, o objetivo da criação foi “preservar os vestígios arqueológicos que atestam para uma presença humana bastante recuada na América do Sul”.
Já em Pernambuco, o chamado Parque Nacional do Catimbau soma mais de 42 sítios mapeados. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) reconhece o local como patrimônio arqueológico nacional, com diversos registros de pinturas rupestres.

De acordo com o especialista, o sítio Alcobaça se destaca dentre os demais, preservando vestígios que remontam a pelo menos 6 mil anos.
O arqueólogo ainda fez questão de destacar os sambaquis. Encontrados principalmente no Maranhão, Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, esses sítios reúnem áreas de habitação, mas se destacam sobretudo pelas áreas funerárias, como o sambaqui Jaboticabeira II, no Balneário do Camacho (SC).

Questionado pelo iG, Tognoli explicou que não existe um critério fixo que determine a superioridade de um sítio sobre o outro. “De maneira geral, todo sítio arqueológico tem sua importância e valor cultural para a compreensão do comportamento humano“, explicou.
O arqueólogo explicou que a identificação de dieta, a produção de utensílios e o simbolismo dos rituais mortuários são fundamentais na avaliação de relevância do sítio arqueológico.

Os sítios anteriores à chegada dos europeus revelam a vida cotidiana dos povos originários: a relação com o ambiente, os valores culturais, a faixa etária das populações e a forma como a morte era percebida e ritualizada.
Esse conjunto de evidências, para o especialista, ajuda a entender o que se pode chamar de formação cultural brasileira. A preservação desse patrimônio, no entanto, esbarra em obstáculos recorrentes.

Segundo Tognoli, a falta de informação da população e os projetos de loteamento em áreas rurais e litorâneas são os maiores desafios para a conservação dos locais.
