O Ministério da Fazenda elevou para 5,1% a projeção oficial de inflação em 2026. O número está acima do teto da meta perseguida pelo Banco Central.
A expectativa de crescimento do Produto Interno Bruto foi mantida em 2,3%, de acordo com as estimativas apresentadas no Boletim Macrofiscal.
Segundo a equipe econômica, a revisão da inflação está relacionada principalmente à possibilidade de intensificação do fenômeno El Niño no segundo semestre.
El Niño pode pressionar inflação de alimentos
O governo avalia que as alterações climáticas poderão afetar a produção agropecuária e pressionar os preços dos alimentos nos próximos meses.
Também contribuíram para a revisão a resistência da inflação de serviços, os efeitos da alta anterior do petróleo e os repasses que ainda não chegaram integralmente aos preços pagos pelos consumidores. A piora das expectativas do mercado também foi considerada na atualização das projeções.
Apesar do cenário inflacionário, a Fazenda entende que a atividade econômica continua em expansão e apresenta capacidade de resistência diante das incertezas externas.
Tarifaço deve ter impacto macroeconômico limitado
O Ministério da Fazenda também avalia que a tarifa adicional aplicada pelos Estados Unidos deverá produzir um impacto limitado sobre o conjunto da economia brasileira. A análise considera a ampliação da lista de produtos isentos, a participação das exportações para os Estados Unidos no PIB e a possibilidade de direcionar parte das vendas brasileiras para outros mercados.
O governo também aponta que medidas destinadas a ampliar crédito, liquidez e diversificação de parceiros comerciais poderão reduzir os efeitos das novas barreiras.
Além do El Niño, a equipe econômica acompanha o conflito no Oriente Médio. Uma eventual nova alta do petróleo e da energia poderá aumentar a pressão sobre os índices de preços.
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