
Acnes felina: veterinário dermatologista de Presidente Prudente (SP) explica quais são as possíveis causas
Arquivo pessoal/Bruna Marina Ferrari
Sabe aqueles pontinhos pretos que podem aparecer no queixo do gato? Há um nome para isso: acne felina. Ao g1, um veterinário dermatologista de Presidente Prudente (SP) explica quais são as possíveis causas e tratamentos para garantir a saúde do animal.
A acne felina, apesar do nome semelhante, é diferente da acne de humanos, a começar pela localização. “Na maioria das vezes, a acne felina ocorre na região do mento (queixo), diferente do ser humano, que pode ocorrer em toda a extensão da face”, descreve o especialista Luís Felipe da Costa Zulim.
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Já o processo inicial da inflamação pode até ser parecido com o de humanos, quando ocorre o aumento e a retenção de queratina dentro do folículo. “Com esse acúmulo, temos a formação do que chamamos de ‘comedos’ ou ‘comedão’, que é a obstrução do folículo”, continua o veterinário.
A partir dos comedos, também conhecidos como cravos, ocorre a ruptura folicular, segundo o especialista. “Posteriormente, com o processo inflamatório, temos a infecção bacteriana, o que pode agravar o quadro”, alerta.
A causa para a acne felina ainda não é bem esclarecida pela medicina veterinária, mas, conforme Luís Felipe, alguns fatores podem contribuir, como:
dermatopatias alérgicas;
causas parasitárias (ácaros/sarna);
acúmulo de conteúdo sebáceo na região;
falta de higiene (em animais idosos ou imunossuprimidos);
fatores como estresse.
“O tratamento pode variar de acordo com o padrão lesional e a extensão, e a gravidade. Desde limpeza/higiene local, até uso de antissépticos e antibióticos”, descreve o especialista.
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A doença é considerada relativamente comum, segundo o veterinário Luís Felipe. “Gatos apresentam menor probabilidade a dermatopatias comparado a cães, porém, como está aumentando o número de gatos por família, a busca por atendimento para a espécie tem aumentado também.”
“Alguns gatos apresentam a doença de maneira crônica e recorrente, sendo necessário tratamento de manutenção, bem como higienização frequente no local”, continua.
Felizmente, a inflamação não é transmissível para outros gatos, nem para outros animais; no entanto, o veterinário reforça: “O tratamento dermatológico no paciente da espécie felina deve ser sempre individualizado, pois gatos não toleram alguns tratamentos e a manipulação excessiva quanto cães.”
Acne felina
Beatriz Santos/Arte g1
Mudança na rotina da família
A gatinha frajola Gabrielly, de três anos, foi diagnosticada com acne felina no “auge da adolescência”, aos nove meses de vida, em outubro de 2023, quando a tutora Bruna Marina Ferrari, 29 anos, percebeu alguns pontos pretos no queixo do animal.
“De início, achei que era sujeira, tentei limpar com algodão e água, mas não saiu. Já no dia seguinte, notei que ela começou a coçar muito; desesperada, chegou a machucar a região do queixo”, destaca.
A pet evitava beber água para não molhar a região e piorar o incômodo. “Como minha outra gata, Arya, já fazia acompanhamento dermatológico com o Dr. Zulim, não pensei duas vezes, levei a Gaby direto para ele avaliar. Fiquei com medo de ser algo mais grave.”
O tratamento da frajola durou aproximadamente 15 dias, com o apoio da “mãe de pet”, que seguiu todas as dicas de skincare felino prescritas pelo dermatologista veterinário. “Quando procurei atendimento para ela e recebi todas as orientações, fiquei mais tranquila.”
“Uma das orientações foi em relação aos comedouros/bebedouros; troquei os antigos, que eram de plástico, por inox/porcelana, pois os de plástico são porosos, acumulam muita gordura e bactérias, que influenciam na acne felina”, reforça a médica Bruna, tutora da gata.
A partir das orientações veterinárias, a Bruna conseguiu garantir uma qualidade de vida ainda mais saudável para as companheirinhas.
“Hoje sou mais rigorosa quanto à higiene dos comedouros/bebedouros, sempre checo o queixo da Gabrielly para ver se não tem acne, limpo a região quando necessário e realizo acompanhamento com veterinário regularmente”, completa.
A ‘mãe de pet’ Bruna Marina Ferrari ao lado da frajolinha Gabrielly
Arquivo pessoal/Bruna Marina Ferrari
Cuidados para prevenção
Cuidados com o material dos comedouros/bebedouros são reforçados pelo dermatologista veterinário Luís Felipe, bem como descreveu a tutora da frajola.
“Pode acontecer hipersensibilidade ao material do comedouro, principalmente aqueles de plástico que desbotam ou que soltam cor, mas não é bem elucidada essa causa.”
Segundo o especialista, para evitar as possíveis inflamações, os comedouros ideais são os de materiais que facilitam a limpeza regular e não acumulam “biofilme”, como os de louça, vidro, inox e, se for de plástico, que sejam os de melhor qualidade.
“A prevenção é a higiene local; entretanto, gatos são uma espécie ‘autolimpante’, então eu diria que a prevenção é um cuidado generalista com a saúde, imunidade e inspeção regular se existir alguma alteração, para que possamos intervir no início.”
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