STM barra recurso de Bolsonaro e avança com cassação de patente

Jair Messias Bolsonaro é capitão do Exército desde dezembro de 1983Reprodução

Apesar da tentativa da defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro em travar o processo na justiça militar, o Superior Tribunal Militar (STM) decidiu por unanimidade rejeitar o recurso e mantém o julgamento do caso que pode acarretar na perda da patente do capitão da reserva do Exército Brasileiro e consequentemente na cassação de seus benefícios e remuneração militares.

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O agravo criminal levantado pelos advogados de defesa foi analisado do Tribunal Pleno em 24 de junho. Este recurso em questão rebatia um bloqueio feito previamente pela ministra-presidente do STM e relatora do caso, Maria Elizabeth Rocha, que não reconhecia os embargos de declaração da defesa de Jair Bolsonaro, devido ao descumprimento dos requisitos formais.

STMDivulgação / STJ

Por que o recurso foi negado?

Embargos de declaração é um recurso judicial no qual o objetivo é solicitar esclarecimento e correção de falhas específicas na redação ou na decisão dos juízes. Na prática, tratou-se de um pedido para que os magistrados retirassem as dúvidas e “limpassem” o texto.

No caso de Jair Bolsonaro, a ministra Maria Elizabeth rejeitou analisar o recurso apresentado (embargos), por ter o entendimento de que a equipe de defesa não mostrou de fato as omissões ou contradições reais que o processo poderia ter.

Corte do Superior Tribunal Militar (STM)Divulgação/Conjur

Além disso, a relatora ressaltou que o meio recursal foi usado apenas como tentativa de rediscutir e alterar uma decisão da Corte que desfavorece o réu, que de acordo com a lei é proibido para esse tipo de instrumento jurídico.

Decisão: unanimidade do Tribunal Pleno

Ao todo 14 ministros do STM votaram pela rejeição do recurso da defesa do capitão reformado. Votaram contra Jair Bolsonaro:

  1. Ministra Maria Elizabeth Guimarães Teixeira Rocha (Relatora)
  2. Ministra Verônica Abdalla Sterman
  3. Ministro Flavio Marcus Lancia Barbosa
  4. Ministro Anisio David de Oliveira Junior
  5. Ministro Guido Amin Naves
  6. Ministro Péricles Aurélio Lima de Queiroz
  7. Ministro Lourival Carvalho Silva
  8. Ministro Cláudio Portugal de Viveiros
  9. Ministro José Barroso Filho
  10. Ministro Carlos Augusto Amaral Oliveira
  11. Ministro Celso Luiz Nazareth
  12. Ministro Leonardo Puntel
  13. Ministro Carlos Vuyk de Aquino
  14. Ministro Artur Vidigal de Oliveira

O único integrante da Corte que não votou foi o ministro Francisco Joseli Parente Camelo, que declarou estar impedido de participar da votação. O julgamento contou com a presença e participação do procurador-geral da Justiça Militar, Dr. Clauro Roberto de Bortolli.

Ministro Joseli Parente Camelo se declarou impedido para votarReprodução

Segundo destaques da própria Corte do STM sobre o caso, os ministros da justiça militar não vão julgar a condenação de Bolsonaro aplicada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em setembro de 2025. Os magistrados da esfera militar estão julgando o processo do ex-presidente no âmbito administrativo: se ele não tem mais condições morais e éticas de continuar carregando o escopo militar.

A chamada “dignidade para oficialato” do capitão reformado está em cheque devido às acusações de financiar, promover, integrar uma organização criminosa

Atos de vandalismo do 8 de janeiro de 2023Reprodução/Youtube

Se for condenado pelo STM, Bolsonaro perde a patente militar, o porte de arma e acesso ao sistema de saúde das Forças Armadas. Ele deixa também de receber de forma direta a remuneração de militar. Este dinheiro é repassado como pensão para os dependentes diretos (esposa e filhos).

Consulta atualizada travada pelo STM

Desdobramentos sobre o caso não puderam ser consultados nas últimas semanas devido um apagão tecnológico: o portal do STM foi alvo de ataque de hacker em 2 de julho e desde então, está fora do ar como medida de segurança.

Site do STM está fora do ar após ataque hackerReprodução/STM

O foco do ciberataque foram os servidores institucionais do portal da instituição, atingindo somente a exibição externa – o que o usuário acessa no site. A Polícia Federal (PF) e o Gabinete de Segurança Informática do STM estão à frente das investigações para saber a autoria da invasão.

Nas mãos da equipe técnica estão os sistemas internos de trâmites processuais e bancos de dados, a fim de reforçar a segurança implementando novas barreiras de proteção. Segundo o STM, os dados jurídicos e processos estão intactos. A justiça militar não estabeleceu ainda uma data para o portal voltar a funcionar

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