Tarifa de 25% dos EUA mantém pressão sobre indústria brasileira, avalia CNI

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) manifestou preocupação com a decisão dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre cerca de 4 mil produtos brasileiros. Embora o governo norte-americano tenha ampliado a lista de exceções com a inclusão de 429 novos itens, a medida ainda afeta aproximadamente US$ 11 bilhões em exportações brasileiras, o equivalente a 26,2% das vendas do país ao mercado americano. A nova tarifa entra em vigor em 22 de julho.

Entre os produtos que passaram a integrar a lista de exceções estão ferro-gusa, hidróxido de alumínio e café instantâneo. Segundo a CNI, as novas isenções reduziram em cerca de US$ 2,3 bilhões o impacto potencial sobre a indústria brasileira, resultado atribuído às articulações realizadas por entidades empresariais durante consultas e audiências públicas conduzidas pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR).

Diálogo ainda é prioridade

Para o presidente da CNI, Ricardo Alban, a ampliação da lista de produtos isentos representa um avanço, mas está longe de solucionar o problema. Segundo ele, o foco agora deve ser a defesa dos setores que permaneceram sujeitos à sobretaxa e que poderão perder competitividade no mercado norte-americano.

Alban também alertou para uma segunda investigação conduzida pelos Estados Unidos, que poderá resultar em uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros. Caso isso ocorra, a sobretaxa total poderá alcançar 37,5%, ampliando ainda mais os impactos sobre a indústria nacional.

Setores mais afetados

De acordo com o levantamento da CNI, os segmentos mais expostos à nova tarifa são:

  • Madeira: 83,1% das exportações para os EUA sujeitas à tarifa.
  • Minerais não metálicos: 56,3%.
  • Químicos: 51,8%.
  • Alimentos: 44,8%.
  • Veículos automotores: 30,3%.
  • Celulose e papel: 24%.
  • Máquinas e equipamentos: 12,5%.

Entre os produtos atingidos estão molduras de madeira, granito, azulejos, álcool etílico, açúcar, carne suína, válvulas industriais, papel para escrita e tratores, entre outros.

Exceções ampliadas

A proposta inicial apresentada pelo USTR previa isenção para 1.698 produtos. Na decisão final, o número subiu para 2.126 itens, com a inclusão de 429 novos produtos. Entre os principais beneficiados estão ferro-gusa não ligado, hidróxido de alumínio, café instantâneo, mel orgânico certificado, peixes de água doce, filés de tilápia, catalisadores com metais preciosos, lagostas, madeiras tropicais não coníferas e tilápias congeladas.

CNI reforça defesa da negociação

A entidade informou que continuará atuando para ampliar o diálogo entre Brasil e Estados Unidos. Nos últimos dias, a CNI, em parceria com a Amcham Brasil e a U.S. Chamber of Commerce, encaminhou uma carta aos governos dos dois países propondo uma nova rodada de negociações para evitar a aplicação das tarifas.

Além disso, Ricardo Alban enviou uma carta ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, defendendo a ampliação dos canais de diálogo entre os setores produtivos dos dois países. Segundo a CNI, a entidade seguirá acompanhando os desdobramentos das medidas para defender soluções que restabeleçam a previsibilidade das relações comerciais e reduzam os impactos para as indústrias brasileira e norte-americana.

O post Tarifa de 25% dos EUA mantém pressão sobre indústria brasileira, avalia CNI apareceu primeiro em BM&C NEWS.

Adicionar aos favoritos o Link permanente.