
VAZAMENTO DE GÁS EM MANAUS
O monômero de estireno, substância que vazou de um tanque da empresa Innova, em Manaus, é um produto químico tóxico, segundo a chefe do Departamento de Química da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Karime Bentes. A especialista também destacou que, em determinadas condições, a água da chuva pode reagir com o gás e formar compostos nocivos que se espalham por grandes distâncias pelo ar.
O vazamento na Innova foi registrado às 17h36 de quarta-feira (15), após o produto armazenado no reservatório apresentar uma elevação anormal de temperatura. Segundo comunicado da empresa, os vapores foram liberados de forma controlada pelos dispositivos de segurança do equipamento. A empresa classifica o episódio como uma “emergência química”.
Karime Bentes explicou que o monômero de estireno é utilizado na fabricação de plásticos, borrachas sintéticas e poliestireno expandido (isopor). De acordo com ela, a exposição ao produto por inalação pode provocar irritação nos olhos, nariz e garganta, além de dores de cabeça, tontura e náuseas.
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A especialista afirma que o produto é originalmente liquido, mas ao se tornar gás, tende a se espalhar com mais facilidade, podendo chegar a locais distantes do ponto de vazamento.
“O estireno é um produto químico que se apresenta na forma liquida, mas que evapora rapidamente. Ao se tornar gás, é mais pesado que o oxigênio, podendo se espalhar por grandes distâncias”, diz.
Questionada pelo g1 sobre a possibilidade de ocorrência de chuva ácida, Karime Bentes afirmou que o fenômeno depende da concentração de estireno presente na atmosfera. Para a especialista, em determinadas condições, a água da chuva pode reagir com o gás e formar compostos nocivos, além de estireno líquido, uma substância tóxica e perigosa.
“Dependendo da concentração de estireno no ar, chuva/água em contato com o gás estireno podem reagir e formar compostos nocivos e estireno liquido (produto químico tóxico e perigoso), se espalhando representando um risco de contaminação ao meio ambiente, fauna e flora”, disse.
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Órgãos monitoram situação
Os órgãos de segurança pública, saúde, meio ambiente e Defesa Civil seguem atuando, na tarde desta quinta-feira (16), no controle e na prevenção após vazamento do produto químico. Em nota, a Secretaria de Saúde informou que 149 pessoas procuraram atendimento em unidades da rede estadual de saúde após o registro da ocorrência.
“Os principais sintomas apresentados foram falta de ar, náuseas, cefaleia, tontura e desmaio. Todos passaram por avaliação médica e realizaram exames. Do total, 140 receberam alta com orientações médicas e oito permanecem internados. A rede estadual de saúde segue com os protocolos de segurança, vigilância e assistência devidamente ativados”, disse a pasta.
O Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) também acompanha a execução do Plano de Ação de Emergência (PAE) da empresa e fiscaliza a resposta ao incidente para verificar se as medidas adotadas são suficientes para minimizar possíveis impactos ambientais
Já o Corpo de Bombeiros reforçou que 80% do material que hoje ainda está sendo expelido do tanque é composto de partículas de água.
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William Duarte/Rede Amazônica
