
Microplásticos foram achados em 92% dos animais que vivem em fontes hidrotermais a mais de dois mil metros de profundidade no fundo do oceano, segundo um estudo publicado 03 de junho na revista Water Research.
Em média, foram encontradas 3,42 partículas de microplástico por animal. O material mais comum foi o poliestireno, um tipo de plástico usado em embalagens e copos descartáveis.
Os pesquisadores analisaram caracóis do gênero Alviniconcha e mexilhões do gênero Bathymodiolus, espécies que vivem nesses ambientes do fundo do mar. Os resultados mostraram que a forma como esses animais se alimentam afeta onde os microplásticos ficam acumulados no corpo.
Nos caracóis, que se alimentam de camadas de microrganismos que crescem sobre o fundo do oceano, as partículas ficaram concentradas principalmente nos órgãos responsáveis pela digestão. Já nos mexilhões, que retiram alimento ao filtrar a água do mar, os microplásticos foram encontrados em diferentes partes do corpo, incluindo os músculos.

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Índico tem maior concentração
Os exemplares coletados no Oceano Índico apresentaram níveis de contaminação até 14,7 vezes maiores do que os do Pacífico Sudoeste, considerando a quantidade de partículas em relação ao peso de cada organismo.
Essa diferença provavelmente está relacionada à maior quantidade de lixo plástico que chega ao mar por causa das atividades humanas nas regiões próximas, além dos rios e das correntes oceânicas, que transportam esses resíduos até áreas profundas, explicaram os cientistas.
Prova inédita em ambiente extremo
Esta é a primeira evidência de que a poluição plástica gerada na superfície do oceano pode viajar por milhares de metros até alcançar fontes hidrotermais, consideradas alguns dos ambientes mais isolados e de condições mais extremas do planeta.
O trabalho ainda indica que fatores como o tipo de alimentação das espécies influenciam a forma como os microplásticos se acumulam nos organismos, enquanto as características de cada região afetam o nível de contaminação.
Os pesquisadores dizem que os resultados podem ajudar no desenvolvimento de sistemas para acompanhar a poluição em áreas profundas do oceano e na criação de formas para proteger esses ecossistemas.
O que são os microplásticos?
Microplásticos são pequenos pedaços de plástico com menos de cinco milímetros de comprimento. Alguns podem ser vistos a olho nu, enquanto outros são tão pequenos que só podem ser observados com equipamentos especiais.
Essas partículas podem já ser criadas em tamanho reduzido, como os microgrânulos usados em alguns produtos de higiene e cosméticos e os pellets usados na fabricação de objetos plásticos. Também podem surgir quando plásticos maiores, como garrafas, sacolas e brinquedos, se quebram pela ação do sol, do calor, do vento, das ondas ou pelo processo natural de desgaste.
Essas partículas podem transportar poluentes que estão na água e liberar substâncias químicas usadas na sua fabricação.
Como duram muito tempo na natureza e continuam se quebrando em pedaços cada vez menores, viraram um dos principais focos de pesquisa atuais sobre poluição em todo o mundo.
