
Motorista abastece em um posto de gasolina em Los Angeles, nos Estados Unidos.
Damian Dovarganes/AP Photo
A imprevisibilidade do conflito entre os Estados Unidos e o Irã tem, mais uma vez, se refletido nos preços do petróleo.
Com mais uma onda de ataques entre os dois países e a retomada do bloqueio naval ao Irã por parte dos EUA no Estreito de Ormuz — rota por onde passa cerca de 20% do comércio global de petróleo —, a commodity voltou a subir em julho, quando o barril do Brent, referência internacional, fechou cotado a US$ 83,30.
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Mesmo com o avanço nos preços, no entanto, o petróleo ainda se encontra bem abaixo do pico registrado em abril, quando o Brent atingiu a marca de US$ 118,03. Isso porque, apesar da alta recente, a commodity passou por um período de queda relevante das cotações, chegando a ficar próxima de US$ 70.
No Brasil, porém, essa desaceleração não chegou aos preços dos combustíveis nos postos. Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram que diesel e gasolina ainda acumulam altas de cerca de 10% e 5%, respectivamente, desde o início da guerra, em fevereiro.
Segundo especialistas consultados pelo g1, a demora é resultado de uma combinação de fatores, como as incertezas sobre os desdobramentos do conflito no Oriente Médio e o subsídio anunciado pelo governo, que ajudou a conter o encarecimento dos combustíveis — e deve limitar, também, a queda dos preços por aqui.
“A imprevisibilidade ainda dita os preços do petróleo e, consequentemente, do diesel e da gasolina. Ainda existem muitos pontos sensíveis a serem negociados entre os dois países”, afirma o analista de inteligência de mercado da StoneX, Bruno Cordeiro.
Veja abaixo como está a situação dos combustíveis no Brasil.
Agora no g1
Trégua ainda frágil mantém mercado em alerta
Apesar da assinatura de um acordo preliminar em meados de junho para encerrar o conflito no Oriente Médio, a trégua entre os EUA e o Irã foi rompida mais de uma vez.
Menos de duas semanas após a assinatura do documento, os dois países voltaram a trocar ataques com mísseis e drones e passaram a se acusar mutuamente de violar o cessar-fogo provisório.
Após dias de confrontos, EUA e Irã concordaram em interromper as hostilidades e retomar as negociações. Catar e Paquistão mediaram uma nova rodada de negociações entre os dois países e, segundo representantes, houve um “avanço positivo” nas conversas.
Nos últimos dias, no entanto, uma nova onda de ataques entre os dois países voltou a colocar o frágil acordo em xeque.
Além dos bombardeios e retaliações de ambas as partes, Trump também retomou o bloqueio naval dos EUA ao Irã no Estreito de Ormuz e ameaçou cobrar um pedágio de 20% sobre a carga de todos os navios que passassem pelo canal — mas voltou atrás e disse que substituiria a taxa por “acordos comerciais e de investimentos com os países do Golfo”.
Além do tráfego ainda limitado no Estreito de Ormuz aumentar as preocupações quanto a oferta de petróleo no mundo, especialistas destacam que a demanda global continua elevada, impulsionada também pelo verão no Hemisfério Norte, período em que o consumo de energia costuma atingir níveis mais altos nos EUA e na Europa.
“Vivemos uma queda histórica nos estoques. Tanto a OCDE quanto os EUA apresentam níveis bastante baixos”, diz o economista-chefe da MB Associados, Sérgio Vale.
“Ainda há muita incerteza sobre o que pode acontecer. Seria necessária uma sinalização concreta do fim definitivo do conflito para iniciar a retirada de minas da região, a reconstrução dos portos destruídos e a retomada das operações. Isso leva tempo”, completa.
Petróleo, inflação e bolsas: os estragos econômicos deixados pela guerra entre EUA e Irã
Por que gasolina e diesel continuam caros no Brasil
Segundo especialistas, o Brasil registrou uma alta mais moderada nos preços dos combustíveis do que a observada nos EUA e em países da Europa.
Para reduzir o impacto da alta dos combustíveis sobre a inflação, o governo federal destinou mais de R$ 30 bilhões a medidas de contenção. A Petrobras também atuou para conter os preços nos momentos mais críticos, evitando repassar imediatamente os aumentos aos consumidores.
“O aumento não chegou com tanta intensidade ao consumidor final. E, como a alta foi mais moderada, não há espaço para quedas também muito intensas”, afirma Sérgio Vale, da MB Associados.
Recentemente, por exemplo, a Petrobras reduziu o preço do diesel nas refinarias em R$ 0,35 após o encerramento do subsídio bancado pelo governo. Como a queda apenas compensou o fim do benefício, os preços praticados para as distribuidoras permaneceram inalterados.
Além disso, o governo também adiou a decisão sobre a retirada do subsídio à gasolina, após a nova escalada do conflito no Oriente Médio.
Os especialistas dizem, ainda, que mesmo o aumento da mistura obrigatória de etanol na gasolina, de 30% para 32%, não deve ser suficiente para provocar uma redução relevante dos preços nos postos.
“Esse aumento é importante, mas, por si só, não deve se refletir em uma redução significativa da gasolina. O principal fator que vai determinar a alta ou a queda dos preços é a situação do mercado internacional e a forma como esse movimento se transmite aos produtos importados que chegam aos portos brasileiros”, completa Cordeiro.
O que precisa acontecer para a gasolina cair no Brasil
O que precisa acontecer para a gasolina cair no Brasil.
Arte/g1
