
A tensão entre Estados Unidos e Irã ganhou um novo e preocupante capítulo nesta sexta-feira (17). Os dois países intensificaram os ataques a infraestruturas consideradas estratégicas, elevando o risco de uma guerra em larga escala após o fracasso do acordo de cessar-fogo firmado em junho.
Os Estados Unidos bombardearam pontes no sul do Irã, enquanto Teerã respondeu atingindo uma usina de geração de energia e dessalinização de água no Kuwait, país aliado de Washington e que abriga bases militares norte-americanas.
Além da troca de ataques, o conflito voltou a afetar a navegação no Golfo Pérsico e no Mar Vermelho, regiões fundamentais para o transporte mundial de petróleo, aumentando a preocupação com possíveis impactos na economia global.
Escalada após fim do cessar-fogo
O acordo que havia interrompido temporariamente os confrontos deixou de valer no início de julho. Desde então, EUA e Irã vêm ampliando gradualmente suas ações militares.
Segundo autoridades norte-americanas, os ataques têm como objetivo enfraquecer a capacidade militar iraniana. Já o governo do Irã afirma que os bombardeios atingiram também áreas civis, incluindo pontes, uma estação ferroviária e um aeroporto.
Na cidade portuária de Bandar Khamir, no sul do país, pelo menos cinco pontes foram atingidas. A imprensa iraniana informou que sete pessoas morreram, entre elas moradores que atravessavam uma das estruturas no momento do ataque.
Vídeos divulgados e verificados por agências internacionais mostram pontes destruídas, veículos danificados e focos de incêndio após os bombardeios.
Resposta iraniana mira aliados dos EUA
Em resposta, o Irã lançou ataques contra instalações localizadas em países do Golfo que mantêm bases militares norte-americanas, como Kuwait, Bahrein e Catar.
No Kuwait, uma usina responsável pela geração de energia elétrica e pela dessalinização da água do mar foi atingida, provocando incêndios, danos estruturais e interrupção parcial da produção de eletricidade.
Apesar dos prejuízos, as autoridades do país informaram que não houve mortes. Também relataram que drones e mísseis iranianos foram interceptados durante a ofensiva.
A Marinha iraniana afirmou ainda ter disparado um míssil de cruzeiro contra um navio militar dos Estados Unidos no norte do Oceano Índico. Segundo Teerã, a embarcação deixou a região após o ataque. Os EUA não confirmaram essa versão.
Petróleo e transporte marítimo voltam ao centro da crise
O conflito também voltou a atingir uma das áreas mais estratégicas do comércio internacional: o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo consumido no mundo.
Fuzileiros navais dos Estados Unidos abordaram um petroleiro próximo ao estreito, enquanto embarcações também foram alvo de ações militares nas proximidades do Iêmen, na entrada do Mar Vermelho.
A Guarda Revolucionária iraniana informou ainda ter atacado um navio com bandeira da Tailândia que tentava atravessar o estreito, sem divulgar detalhes sobre a operação.
Com o aumento da instabilidade, o preço internacional do petróleo Brent subiu cerca de 3% nesta sexta-feira, acumulando a terceira semana seguida de alta.
Trump faz novas ameaças
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a adotar um discurso duro diante da escalada.
Ele afirmou que pode ampliar os bombardeios contra a infraestrutura iraniana e não descartou uma operação terrestre caso o conflito continue se agravando.
Do lado iraniano, Mohsen Rezaei, assessor do líder supremo Ali Khamenei e ex-comandante da Guarda Revolucionária, advertiu que o país poderá iniciar “operações ofensivas em grande escala” se os ataques norte-americanos persistirem nos próximos dias.
ONU demonstra preocupação
A Organização das Nações Unidas (ONU) manifestou preocupação com a intensificação dos ataques.
O secretário-geral António Guterres afirmou, por meio de seu porta-voz, que acompanha com apreensão os bombardeios contra infraestruturas civis tanto no Irã quanto em outros países da região.
A escalada aumenta o temor de que o conflito ultrapasse as fronteiras entre Estados Unidos e Irã, envolvendo outros países do Oriente Médio e ampliando os riscos para o abastecimento global de energia e para a segurança da navegação internacional.
