
Muitas pessoas pegam a estrada durante o período de férias, que, no Brasil, geralmente ocorre nos meses de dezembro, janeiro e julho. No entanto, é justamente nessa época do ano que são registrados grandes congestionamentos nas rodovias, com motoristas e passageiros enfrentando horas de engarrafamento. A situação gera frustração, especialmente entre famílias com crianças ansiosas para chegar ao destino, além de preocupações com o consumo de combustível, atrasos e outros transtornos.
Quem nunca olhou para a faixa do lado e se convenceu que estaria mais rápido. A maioria dos motoristas acredita que mudar de faixa nos fará chegar mais depressa em casa.
Porém, a matemática indica que esta intuição geralmente está errada, é o que explica a professora de Matemática Aplicada da Universidade de Warwick, Randa Herzallah, em um artigo. Grande parte dessa pesquisa se baseia na pergunta: como podemos prever e controlar o comportamento de sistemas complexos que operam sob incerteza?
Segundo Randa, tendemos a pensar que os engarrafamentos precisam de um gatilho: um acidente, obras na via ou o fechamento de uma faixa. No entanto, algumas das filas não têm nenhuma causa óbvia.
De acordo com a pesquisa de Randa Herzallah, em 2008, pesquisadores japoneses pediram a 22 motoristas que dirigissem em uma pista circular, mantendo velocidade constante e uma distância segura do veículo da frente.
Em poucos minutos, pequenas diferenças nos tempos de frenagem e reação se transformaram em uma onda de paradas e arranques que se propagava continuamente ao redor do circuito, apesar de não haver nenhum obstáculo na pista.
A explicação matemática
Na matemática, em vez de modelarem individualmente cada condutor, os matemáticos tratam o trânsito como um fluxo contínuo.
Para Randa, o movimento dos veículos é analisado de forma semelhante ao escoamento da água por meio de um tubo.
A professora de Matemática Aplicada também explica em sua pesquisa por que mudar constantemente de via raramente compensa.
