Castanha impulsiona renda de famílias e fortalece economia sustentável em Amaturá, no Amazonas


Amazônia Agro de domingo, 19 de julho de 2026
A produção de castanha-da-amazônia tem garantido renda para dezenas de famílias e fortalecido a economia sustentável no município de Amaturá, no extremo oeste do Amazonas. A atividade reúne extrativismo, beneficiamento e comercialização do produto, que é vendido dentro e fora do estado e se tornou uma das principais fontes de sustento da população local.
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Amazonas foi o maior produtor de castanha-da-amazônia do país em 2024. Em Amaturá, produtores trabalham há cerca de 20 anos no beneficiamento da amêndoa, agregando valor ao produto antes da venda.
A coleta começa nas áreas de floresta e nos sítios do município, onde estão as castanheiras, árvores que podem alcançar até 60 metros de altura. A produção varia conforme a idade da árvore e as condições climáticas, podendo chegar a cerca de 400 ouriços por safra.
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A colheita ocorre, geralmente, entre janeiro e julho. Os castanheiros recolhem os ouriços que caem naturalmente no chão. Cada um pode conter até 20 castanhas.
Os frutos são transportados em cestos artesanais até o local de beneficiamento. Para o castanheiro Raimundo Ribeiro, a atividade representa uma importante fonte de renda para a família.
“Sou castanheiro há cinco anos e, no período da safra, nós juntamos 200 ouriços de castanha por dia”, contou.
Depois da coleta, as sementes são retiradas dos ouriços e levadas para a Associação de Produtores e Beneficiadores da Castanha de Amaturá (Aprocam).
Atualmente, a associação conta com cerca de 60 funcionários e recebe o apoio de famílias ribeirinhas que participam da coleta e da comercialização da produção.
“A castanha é o nosso pão de cada dia. Estamos aqui para valorizar nossa produção”, afirmou a associada da Aprocam, Dulcinéia Andrade Franco.
Produção de castanha tem beneficiado moradores de Amaturá.
Roney Elias/Rede Amazônica
Beneficiamento agrega valor ao produto
Na agroindústria, as castanhas passam por um processo de secagem para reduzir a umidade e evitar o surgimento de fungos. Em seguida, seguem para a triagem, onde são quebradas, selecionadas e submetidas a tratamento térmico em autoclave.
Depois de embaladas, as castanhas são distribuídas para comercialização dentro e fora do Amazonas.
Segundo o presidente da Aprocam, Aurélio Santos Lucas, o extrativismo da castanha alia geração de renda e preservação ambiental.
“A gente trabalha com esse produto porque não precisa desmatar para produzir. É uma atividade totalmente biodegradável”, disse.
Para a diretora do Parque Científico e Tecnológico do Alto Solimões, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Tarciana de Carvalho Coutinho, a experiência de Amaturá mostra como a tecnologia e o beneficiamento podem aumentar o valor dos produtos da floresta sem comprometer a conservação ambiental.
Segundo a pesquisadora, o modelo pode ser adotado por outros municípios do interior do Amazonas, respeitando as características e potencialidades de cada região.
“Esse modelo pode ser replicado em outros municípios. Precisamos passar de um processo tradicional para um modelo em que a tecnologia gere valor aos produtos que temos”, afirmou.
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