Vazamento de gás tóxico em fábrica de Manaus é contido e bombeiros liberam retomada de atividades no Distrito Industrial


Mais de 400 pessoas vão para hospital após vazamento de gás em Manaus
O Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) informou, neste domingo (19), que conteve o vazamento de gás tóxico monômero de estireno registrado na Unidade 4 da empresa Innova, no Distrito Industrial de Manaus.
Após três dias de trabalho, um comitê formado por órgãos estaduais, além da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) e do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Amazonas (Crea-AM), decidiu liberar o retorno das atividades nas indústrias do Polo Industrial, escolas da rede estadual e serviços públicos a partir desta segunda-feira (20).
Segundo o comandante-geral do CBMAM, coronel Orleilso Muniz, as medições realizadas no local indicaram que não há mais emissão do gás estireno.
“Nesse momento não encontramos qualquer resíduo do gás estireno tanto no entorno como dentro da área isolada. Estamos com emissão zero a partir do tanque atingido”, afirmou.
Apesar da contenção, o Corpo de Bombeiros continuará atuando na fábrica para manter o resfriamento do tanque. De acordo com o comandante, o trabalho de retirada do produto armazenado e de desativação da estrutura poderá durar meses.
Com a decisão do comitê, as escolas estaduais que tiveram as atividades suspensas na região do Distrito Industrial retomam as aulas nesta segunda-feira (20). O Serviço de Pronto Atendimento ao Cidadão (PAC) Studio 5 também volta a funcionar normalmente. As indústrias do Polo Industrial de Manaus que haviam interrompido as atividades por precaução também estão autorizadas a retomar a operação.
O diretor-presidente do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), Gustavo Picanço, informou que o órgão acompanhou toda a operação ao lado do Corpo de Bombeiros. No sábado (18), equipes utilizaram um drone com câmera térmica para monitorar a temperatura do tanque.
Mesmo com a liberação das atividades, o Ipaam informou que continuará acompanhando os trabalhos na empresa. O órgão seguirá monitorando a qualidade do ar, analisando os efluentes gerados, fiscalizando a destinação dos resíduos remanescentes e verificando o cumprimento das condicionantes da licença ambiental da empresa.
Mais de 500 atendimentos por sintomas
De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM), entre quarta-feira (16) e domingo (19), foram registrados 552 atendimentos de pessoas com sintomas compatíveis com possível exposição ao estireno. Apenas um paciente permanecia internado na rede estadual até este domingo.
A secretaria informou que continuará monitorando os atendimentos e orienta a população a procurar uma unidade de saúde ou acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), pelo telefone 192, em caso de sintomas relacionados à exposição ao gás.
No sábado (18), um homem de 60 anos morreu após dar entrada em uma unidade particular com problemas respiratórios. Segundo a SES-AM, a causa da morte será investigada pelo Serviço de Verificação de Óbitos (SVO), com acompanhamento da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-RCP), para apurar se há relação com a exposição ao estireno.
Outro paciente, de 67 anos, morreu na quarta-feira (16), após procurar atendimento com relato de mal-estar. Segundo a secretaria, não foi constatada relação direta entre o óbito e o vazamento, já que ele tinha histórico de doença respiratória crônica.
No domingo (19), bombeiros continuam resfriando tanque onde ocorreu vazamento de gás em Manaus
Jadson Lima/g1 AM
A Prefeitura de Manaus informou que um drone equipado com câmeras térmicas identificou uma fissura na bacia de contenção do tanque e constatou a continuidade do vazamento. Após a inspeção, o Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb) interditou parcialmente a unidade industrial.
A Innova foi multada em mais de R$ 22,4 milhões. A Prefeitura aplicou duas multas, que somam cerca de R$ 9,9 milhões, por poluição do ar, do solo e de corpo hídrico. Já o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) autuou a empresa em R$ 12,5 milhões por infração à legislação ambiental devido à poluição atmosférica causada pelo incidente.
Na sexta-feira (17), a superintendente do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) no Amazonas, Francinete Lima, informou ao g1 que a Innova manteve a produção da fábrica de forma ininterrupta por pelo menos 48 horas após o vazamento para esvaziar o tanque onde ocorreu o incidente. De acordo com ela, a empresa informou ao órgão que o produto armazenado no reservatório danificado continuava sendo utilizado no processo produtivo para acelerar o esvaziamento da estrutura.
O incidente
O vazamento de monômero de estireno foi registrado às 17h36 de quarta-feira, na Unidade IV da Innova. O forte odor do produto químico foi percebido em bairros próximos ao Distrito Industrial e levou à evacuação imediata de um shopping localizado nas proximidades da empresa.
O monômero de estireno é utilizado na fabricação de plásticos, borrachas sintéticas e poliestireno expandido (isopor). Segundo especialistas, a exposição ao produto por inalação pode causar irritação nos olhos, nariz e garganta, além de dor de cabeça, tontura e náusea.
Desde a ocorrência, equipes do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) atuam no resfriamento do tanque para controlar a temperatura e evitar novos riscos. A principal hipótese investigada pela corporação é de uma reação espontânea no interior da estrutura.
Vazamento de gás tóxico em Manaus já deixou 414 pessoas atendidas e alerta para danos ambientais
reprodução JN
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