Os mercados iniciam a semana atentos a uma agenda internacional marcada por decisões de política monetária, indicadores de atividade econômica e novos sinais sobre inflação. Depois de uma sequência de dados relevantes sobre mercado de trabalho e preços nos Estados Unidos, no Brasil e na Europa, o foco dos investidores se volta para os bancos centrais.
O ciclo de decisões começa na Ásia, com o Banco Popular da China. Ao longo da semana, também serão conhecidas as decisões dos bancos centrais da Indonésia, África do Sul, Turquia, Banco Central Europeu e Rússia. As reuniões ocorrem em um ambiente de cautela, com inflação ainda no radar, custos de energia pressionados e maior sensibilidade dos mercados ao cenário geopolítico.
Na Europa, o principal evento será a decisão de política monetária do Banco Central Europeu, na quinta-feira. Após o anúncio, investidores acompanharão o discurso de Christine Lagarde, presidente do BCE, em busca de sinais sobre os próximos passos da autoridade monetária. A agenda da Zona do Euro também terá o índice ZEW de percepção econômica e, na sexta-feira, as prévias dos PMIs industrial, de serviços e composto.
Os PMIs serão importantes para medir o ritmo da atividade econômica em um momento de incerteza sobre crescimento e inflação. Na Europa, os dados podem ajudar a indicar se a economia segue em desaceleração ou se há sinais de recuperação mais consistente.
Nos Estados Unidos, a agenda será mais concentrada no fim da semana. Na quinta-feira, serão divulgados os pedidos semanais de auxílio-desemprego. Na sexta, o mercado acompanha os PMIs industrial, de serviços e composto. Os indicadores serão observados antes da reunião do Federal Reserve, marcada para os dias 28 e 29 de julho, para a qual o mercado segue precificando manutenção da taxa de juros.
A leitura dos dados americanos será relevante para avaliar a força da maior economia do mundo e o espaço para mudanças na política monetária nos próximos meses. Após uma semana marcada por inflação e mercado de trabalho, qualquer sinal de desaceleração ou resiliência da atividade pode mexer com juros, câmbio e bolsas.
Na avaliação de Francisco Alves, operador de mercado e apresentador do Pre Market, da BM&C News, o ambiente global exige cautela. “Estamos em um momento de cautela, no qual as economias globais enfrentam pressões inflacionárias decorrentes dos custos de energia. A recente alta de mais de 15% no preço do petróleo, impulsionada pelo recrudescimento das tensões no Oriente Médio, tem gerado impactos significativos.”
Na Ásia, além da decisão do Banco Popular da China, o mercado acompanha dados do Japão, como balança comercial, inflação ao consumidor e prévias dos PMIs. O país começa a semana com feriado, o que pode reduzir a liquidez local no início dos negócios. Hong Kong divulgará inflação ao consumidor, enquanto a Indonésia terá decisão de juros.
A China seguirá no radar por seu peso sobre commodities e atividade global. Qualquer sinalização do banco central chinês sobre estímulos ou condições de crédito pode influenciar mercados emergentes, minério de ferro, petróleo e ativos ligados ao comércio internacional.
No Reino Unido, a semana terá dados de desemprego, inflação ao consumidor, vendas no varejo e indicadores de atividade econômica. Os números serão acompanhados em meio às dúvidas sobre o ritmo da economia britânica e os próximos passos da política monetária local.
Na África do Sul, Turquia e Rússia, as decisões de juros também entram no radar dos investidores, especialmente pela leitura sobre inflação, câmbio e fluxo de capitais em mercados emergentes. Em um ambiente de maior incerteza global, as sinalizações desses bancos centrais podem influenciar a percepção de risco.
No Brasil, a agenda de indicadores será mais esvaziada. O destaque doméstico será o Boletim Focus, divulgado na segunda-feira pelo Banco Central, com as projeções atualizadas do mercado para inflação, juros, câmbio e PIB. Mesmo com poucos indicadores, investidores seguirão atentos ao cenário político, ao fluxo de investidores estrangeiros e ao comportamento dos ativos locais.
O cenário eleitoral também deve permanecer no radar, com expectativa de novas pesquisas Datafolha entre quarta e sexta-feira e avanço das convenções partidárias para as eleições presidenciais. A leitura política pode influenciar a percepção de risco, especialmente em um ambiente de juros longos elevados e preocupação fiscal.
O setor de tecnologia também segue como ponto de atenção. Na última semana, ações ligadas a tecnologia e inteligência artificial registraram quedas relevantes, com destaque para Samsung e SK Hynix. O desempenho dessas empresas continuará sendo monitorado por seu impacto sobre bolsas asiáticas e americanas.
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