O aumento do custo do crédito tem levado consumidores e empresas a comparar com mais atenção as alternativas disponíveis para a compra de imóveis, veículos, máquinas e outros bens. Nesse cenário, o consórcio ganha espaço como uma modalidade voltada ao planejamento de médio e longo prazo, embora não permita o acesso imediato ao recurso.
Em entrevista ao programa Mercado & Beyond, da BM&C News, Natália Garcia, diretora da Bradesco Consórcios, avaliou que o crescimento da modalidade está relacionado tanto à mudança na percepção sobre o produto quanto ao avanço da educação financeira. A entrada de novos participantes no setor e a ampliação do debate também contribuíram para tornar o consórcio mais conhecido entre os consumidores.
“Eu acho que o consórcio, ele tem o seu lugar independente de taxa de juros, independente da natureza de crédito”, afirma Natália Garcia.
Diferenças entre consórcio e financiamento
O financiamento permite antecipar a aquisição do bem, mas inclui a cobrança de juros, o que pode elevar o valor total desembolsado. No consórcio, o participante integra um grupo, realiza pagamentos mensais e precisa aguardar a contemplação por sorteio ou oferecer um lance para utilizar a carta de crédito.
A escolha entre as duas modalidades depende principalmente da urgência e da capacidade de planejamento. Para quem precisa do bem imediatamente, o financiamento pode ser mais compatível com a necessidade. O consórcio, por sua vez, tende a atender consumidores que conseguem organizar a compra com antecedência e aguardar a contemplação.
“No consórcio você tem taxa de administração e no financiamento você tem ali o impacto dos juros”, explica Natália Garcia.
Consórcio não deve ser tratado como investimento
A executiva explicou que o consórcio apresenta duas etapas. Antes da contemplação, funciona como um sistema de autofinanciamento coletivo, no qual os participantes contribuem mensalmente para a formação dos recursos do grupo. Após a liberação da carta e a compra do bem, passa a existir uma operação de crédito vinculada ao patrimônio adquirido.
Essa estrutura diferencia o produto de uma aplicação financeira. Embora os valores pagos sejam submetidos às regras de atualização previstas no contrato, o participante não dispõe de liquidez imediata. Caso interrompa os pagamentos, a restituição dos recursos seguirá as condições e os prazos definidos para o encerramento ou andamento do grupo.
“Então ele não é um investimento que você utiliza para fazer liquidez depois”, esclarece Natália Garcia.
Tecnologia ajuda a personalizar a oferta
A expansão dos canais digitais facilitou o acesso a produtos financeiros, mas aumentou a necessidade de oferecer informações adequadas a diferentes perfis. Segundo Natália, renda, objetivos, capacidade de pagamento e momento de vida precisam ser considerados antes da indicação de um consórcio, financiamento ou outra modalidade de crédito.
Instituições financeiras têm utilizado dados, sistemas de relacionamento e inteligência artificial para compreender o comportamento dos clientes e tornar a oferta mais individualizada. O objetivo é substituir abordagens padronizadas por jornadas capazes de identificar qual produto pode atender melhor a cada necessidade.
“O mais difícil é identificar onde eu aplico ele da melhor forma”, observa Natália Garcia.
Transparência reduz riscos de endividamento
A personalização também pode contribuir para reduzir contratações incompatíveis com o orçamento. Antes de assumir uma obrigação de longo prazo, o consumidor precisa avaliar não apenas o valor mensal da parcela, mas também o custo total, a duração do contrato e a possibilidade de manter os pagamentos até o encerramento da operação.
Nesse processo, a transparência tende a ganhar importância na relação entre instituições financeiras e clientes. A escolha entre consórcio e financiamento não deve ser baseada apenas no acesso ao crédito, mas na compatibilidade entre o produto, o planejamento patrimonial e a situação financeira de cada consumidor.
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