Quem foi Régis Bittencourt, nome de  importante rodovia do país

Rodovia Régis Bittencourt (BR-116)Divulgação/ Arteris

Milhares de motoristas passam diariamente pela Rodovia Régis Bittencourt (BR-116) sem saber quem está por trás do nome da estrada. 

A estrada, que já foi chamada de Rodovia da Morte, presta homenagem a Edmundo Régis Bittencourt, nascido em 19 de fevereiro de 1897, no Rio de Janeiro. Ele foi engenheiro civil, empreiteiro e ex-presidente do extinto Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER).

Em 30 de agosto de 1960, Régis foi nomeado por Juscelino Kubitschek como membro do Conselho Superior das Caixas Econômicas Federais.

Edmundo Régis BittencourtFoto – Zenith – Arquivo de História da Ciência

Também se destacou como presidente da Associação Rodoviária do Brasil (ARB), entidade fundada em 1947 que se tornou um marco na história do rodoviarismo brasileiro. Além disso, foi autor do livro ‘Caminhos e Estradas na Geografia dos Transportes’, considerado referência nacional no segmento rodoviário.

Foi casado com Vossina Brígido Bittencourt. Faleceu em agosto de 1968.

Por que a BR-116 recebeu esse nome? 

A BR-116 tem início no município de Fortaleza, no Ceará, e termina em Jaguarão, no Rio Grande do Sul, na fronteira com o Uruguai. Com mais de 4.600 quilômetros de extensão, é a maior rodovia totalmente pavimentada do país e atravessa 10 estados.

Há muito tempo, já existia o interesse em ligar duas grandes cidades, São Paulo e Curitiba.

Inicialmente, foram realizados estudos para a construção de uma rodovia que passasse pelo Vale do Ribeira. Durante o governo de Juscelino Kubitschek, esses projetos foram aprofundados.

Como superintendente do Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER), Edmundo Régis Bittencourt, na década de 1950, participou da construção e da inauguração do trecho da BR-116 entre Taboão da Serra, em São Paulo, e Curitiba, no Paraná.

No início, a rodovia contava apenas com pista simples e alguns trechos sem asfalto. O trecho começava na altura do bairro do Pinheirinho, na divisa entre Embu das Artes e Itapecerica da Serra.

A rodovia foi inaugurada inicialmente como BR-2 pelo presidente Juscelino Kubitschek, em 24 de janeiro de 1961. Pouco tempo depois, recebeu o nome de Rodovia Régis Bittencourt, em homenagem ao engenheiro.. 

Inauguração da Rodovia Régis Bittencourt (BR-116)Foto – Revista Manchete de 11/02/1961

O legado no transporte rodoviário 

O engenheiro civil Edmundo Régis Bittencourt foi o primeiro presidente e um dos principais gestores do extinto Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER), órgão que, posteriormente, deu origem ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e teve suas atribuições relacionadas à criação da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

Ele assumiu o comando do DNER em um período de transformação do órgão, quando a antiga Comissão de Estradas de Rodagem foi substituída por uma estrutura federal mais organizada. Régis Bittencourt esteve à frente do departamento em dois períodos: de 1951 a 1954 e de 1956 a 1960.

Durante sua gestão, o Brasil iniciou uma mudança na matriz de transporte, deixando de ter as ferrovias como principal eixo de integração para ampliar os investimentos na construção de rodovias. Ele foi um dos principais responsáveis pelo planejamento e expansão da malha rodoviária federal, com o objetivo de conectar regiões estratégicas, unindo cidades e promovendo a circulação de riquezas “sobre rodas”.

Participou diretamente dos estudos e da implantação do trecho da BR-116 entre São Paulo e Curitiba, que posteriormente recebeu seu nome.

A atuação do engenheiro contribuiu para a estruturação do sistema rodoviário brasileiro e influenciou a formação dos atuais órgãos federais responsáveis pela infraestrutura de transportes.

Outras homenagens espalhadas pelo Brasil

Seu legado de pavimentar e integrar o país rendeu homenagens por todo país. 

Ponte Régis Bittencourt

Ponte Régis BittencourtReprodução/ Facebook

A Ponte Edmundo Régis Bittencourt, localizada no município de São Mateus, no Espírito Santo, teve sua obra iniciada na década de 50, mais especificamente em abril de 1953, sob ordem de Edmundo Régis.

Antes da construção da ponte, a travessia na região era feita por meio de balsas. O serviço utilizava o conhecido Porto de São Mateus. Porém, com o aumento constante no número de veículos, surgiu a necessidade da construção de uma nova ligação, mais segura e capaz de atender à crescente demanda de carros.

A ponte foi inaugurada um ano após o início das obras. Com 350 metros de extensão, chegou a ser considerada uma das maiores pontes do Brasil em comprimento e, atualmente, é reconhecida como a terceira maior ponte do estado do Espírito Santo.

Travessia Régis Bittencourt

Travessia Régis BittencourtSioma Breitman – Acervo Museu de Porto Alegre Joaquim Felizardo

A Travessia Régis Bittencourt é um conjunto de quatro pontes entre o Lago Guaíba e o Rio Jacuí, que deram origem ao nome de duas das quatro pontes localizadas na entrada de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.

A travessia é formada pela Ponte do Canal Furado, com 344 metros de comprimento; pela Ponte do Saco da Alemoa, com 774 metros; pela Ponte do Rio Guaíba, com 1.100 metros; e, por fim, pela Ponte do Rio Jacuí, com aproximadamente 1.760 metros de extensão, na interseção da BR-116 com a BR-290. Ao todo, o complexo possui cerca de 7,7 quilômetros de comprimento.

Escola Estadual Régis Bittencourt 

Em Feira de Santana, no estado da Bahia, tem uma escola estadual em homenagem ao engenheiro civil.

Viaduto Régis Bittencourt 

Viaduto Régis Bittencourt Reprodução/ Google Maps

Em Uberlândia, no estado de Minas Gerais, há um viaduto no cruzamento das rodovias BR-050 e BR-365 que também foi nomeado em homenagem a Régis. 

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