Serra do Cafezal na Régis Bittencourt: por que tem esse nome?

A rodovia liga Taboão da Serra, em São Paulo, a Curitiba, no ParanáDivulgação/ Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT)

A Serra do Cafezal, localizada na Rodovia Régis Bittencourt (BR-116), entre os municípios de Juquitiba e Miracatu, no estado de São Paulo, é considerada um dos trechos mais perigosos e desafiadores para os motoristas no Brasil.

Ela recebeu esse nome porque, na altura do quilômetro 348 da rodovia, havia uma colônia de imigrantes japoneses. Eles mantinham uma serraria chamada Cafezal. Na parte mais baixa do vale, existia um pequeno cafezal, com cerca de 5 mil pés de café da variedade Caturra. Os moradores trabalhavam nas hortas, na serraria e no cultivo do cafezal.

O cafezal acabou dando nome ao bairro Cafezal, que hoje pertence ao município de Miracatu. Posteriormente, o Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER) oficializou a denominação Serra do Cafezal para o trecho da rodovia.

Durante anos, esse trecho, com cerca de 30 quilômetros de extensão, era de pista simples e um dos mais críticos da rodovia. Em média, eram registrados cerca de 500 acidentes por ano, o equivalente a quase 42 por mês. Entre 2010 e 2017, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) contabilizou 3.994 acidentes no local.

Obras de duplicação

Em 2010, começaram as obras de duplicação do trecho, que duraram sete anos. Os trabalhos foram concluídos em dezembro de 2017. A duplicação do trecho exigiu estudos de impacto ambiental, o resgate de centenas de espécies da fauna e da flora e a construção de viadutos, pontes e túneis. Além de estar localizada em uma área de preservação da Mata Atlântica, a região apresenta terreno irregular, com desníveis acentuados, encostas e vales profundos, o que aumentou a complexidade da obra. 

Um dos principais desafios da obra foi obter a aprovação dos órgãos ambientais, já que o trecho exigia diversas medidas de compensação ambiental. A licença do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para intervenções na região só foi concedida no fim de 2012, permitindo que as obras de maior porte começassem somente em 2013. 

A duplicação do trecho exigiu estudos de impacto ambientalDivulgação/ Arteris

Por conta do terreno irregular, foi necessária a construção de quatro túneis, 39 pontes e viadutos.

As obras de duplicação do trecho da Serra do Cafezal duraram sete anosDivulgação/ Arteris

Com a duplicação, o número de acidentes, mortes e atropelamentos diminuiu significativamente, mas o trecho continua exigindo atenção redobrada dos motoristas. 

Formação geográfica

A Serra do Cafezal é uma região serrana que faz parte do sistema da Serra do Mar. Localizada a aproximadamente 90 quilômetros ao sul da capital paulista, é marcada por extensos trechos de Mata Atlântica nativa preservada. A Rodovia Régis Bittencourt (BR-116) atravessa a serra entre os quilômetros 336 e 369.

A Serra do Cafezal faz parte de uma região formada há centenas de milhões de anos por movimentos da crosta terrestre. O relevo é composto por rochas muito antigas, como granito e gnaisse, e foi moldado ao longo do tempo pela ação da chuva e do clima tropical. Por isso, a região apresenta vales profundos, encostas íngremes e um terreno bastante acidentado, com superfícies irregulares, elevações, depressões e fortes desníveis.

Ela recebeu esse nome porque, na altura do quilômetro 348 da rodovia, havia uma colônia de imigrantes japonesesDivulgação/ Arteris

Por estar localizada entre o planalto e o litoral, a Serra do Cafezal possui características que influenciam diretamente o trânsito na região. A proximidade com o Oceano Atlântico faz com que o trecho tenha alta umidade e seja frequentemente coberto por neblina, reduzindo a visibilidade dos motoristas.

A região também é coberta por vegetação da Mata Atlântica, que ajuda a estabilizar as encostas e reduzir o risco de deslizamentos de terra.

Curvas, altitude e clima 

A serra tem altitude média que varia entre 800 e 1.100 metros em seus pontos mais altos.

O trecho é extremamente sinuoso, com muitas curvas. Como o terreno é montanhoso, a rodovia contorna os morros, o que aumenta a quantidade de curvas ao longo do percurso.

O trecho é extremamente sinuoso, com muitas curvasDivulgação/ Arteris

Devido à altitude e à densa vegetação da Mata Atlântica, a região registra frequentemente neblina e chuvas, o que reduz a visibilidade dos motoristas e aumenta os riscos na pista.

Corredor logístico

No estado de São Paulo, a Rodovia Régis Bittencourt corta municípios como Embu das Artes, Itapecerica da Serra, São Lourenço da Serra, Juquitiba, Miracatu, Juquiá, Registro, Pariquera-Açu, Jacupiranga, Cajati e Barra do Turvo, atravessando toda a região do Vale do Ribeira. Já no Paraná, a BR-116 passa por Campina Grande do Sul, Quatro Barras, Colombo, Pinhais e Curitiba, onde se integra ao sistema viário da Região Metropolitana.

A rodovia desempenha um papel estratégico no escoamento da produção nacional. É uma das principais rotas de transporte de cargas entre o polo industrial paulista e os estados do Sul, além de facilitar o fluxo de produtos agrícolas, matérias-primas e bens de consumo. 

Por esse motivo, cerca de 75% do tráfego diário da via, que ultrapassa 25 mil veículos, é composto por caminhões e carretas. Ao todo, aproximadamente 600 mil caminhões circulam pela rodovia todos os meses. 

Rodovia Régis Bittencourt (BR-116)Divulgação/ Arteris

A rodovia é utilizada para o transporte de diversos tipos de cargas, principalmente autopeças, eletrônicos, máquinas e equipamentos, fertilizantes, grãos, alimentos, combustíveis e materiais de construção. 

Além de integrar o principal corredor rodoviário que liga os maiores polos econômicos das regiões Sudeste e Sul do Brasil, ela conecta esses mercados aos principais países da América do Sul, sendo uma rota fundamental para o Mercosul.

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