
O senador pela Bahia, Jaques Wagner (PT) segue na mira das autoridades. Agora a Polícia Federal (PF) intimou o parlamentar para prestar depoimento sobre seu suposto envolvimento no Caso Master. O interrogatório foi marcado para 7 de agosto, primeira sexta-feira do mês.
Wagner vai ter que explicar sobre o aparente recebimento de propina de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master em favor de interesses regulatórios e financeiros da instituição no Congresso Nacional.

O parlamentar tem o processo principal correndo no Supremo Tribunal Federal (STF), desde junho de 2026, onde foi alvo da nona fase da Operação Compliance Zero. O ministro André Mendonça que é relator responsável pelo caso. Após deflagrada essas diligências, o senador deixou a liderança do governo no Senado.
Alvo da PF
A PF vem apurando se existe de fato o vínculo de familiares próximos de Jaques Wagner com nomes conectados ao Banco Master, mais especificamente Daniel Vorcaro e o ex-sócio Augusto Ferreira Lima. Ele é amigo do senador e era o contato direto na ponte entre o ex-banqueiro e o parlamentar.

Ferreira Lima é apontado por orquestrar as operações financeiras e fazer o envio dos supostos repasses a Jaques Wagner. Segundo informações do UOL, sob este inquérito da PF, as transações indicam um “recebimento de vantagens econômicas indevidas pelo parlamentar, direta ou indiretamente”.
O documento da autoridade policial consta que essa movimentação financeira acontecia com regularidade através do entorno familiar do senador, pessoas de confiança e também por meio de sociedades ligadas ao Banco Master.
Prova das transações
Um episódio que foi detalhado pelos investigadores é a compra de um apartamento de luxo em Salvador (BA) pelo senador. Segundo a PF, o imóvel é avaliado em mais de R$ 2,4 milhões e foi pago por Daniel Vorcaro dando contornos de vantagem indevida. Na prática, seria o pagamento pelos “serviços” do parlamentar.
A principal prova dessa transação são conversas trocadas por aplicativo de mensagem no celular que foram inteceptadas pelas autoridades. No diálogo, a PF levantou o momento exato que Jaques Wagner envia para o ex-sócio de Vorcaro e seu amigo, o contato do gerente da construtora do imóvel.
A mensagem enviada pelo senador a Ferreira Lima detalhava o negócio: “A unidade é a 1702 e o preço é 2,45 mi”, o que confirmaria a ligação do político com o núcleo do banco. O inquérito cita ainda mensagem de Ferreira Lima para Jaques Wagner indicando um acordo: “Você faz parte disso”.
9ª fase da chamada Operação Compliance Zero
Em junho de 2026, o senador foi alvo da 9ª fase da chamada Operação Compliance Zero que investiga pagamento de propina em troca de favores políticos. Mandados de busca e apreensão foram expedidos e direcionados a endereços do senador em Brasília (DF), exceto o gabinete no Congresso.
Jaques Wagner também sofreu medidas cautelares como bloqueio de bens. Após o interrogatório marcado para agosto, a Procuradoria-Geral da República (PGR) e o STF vão avaliar as informações confrontadas. Os detalhes do processo segue sob sigilo processual.
