
O caso foi registrado na Delegacia de Polícia de Guarujá.
Carlos Abelha/TV Tribuna
A Polícia Civil investiga um caso de violência doméstica contra dois irmãos, uma menina de 5 anos, diagnosticada com Transtorno do Espectro Autista (TEA), e um menino de 1 ano e 10 meses, em Guarujá, no litoral de São Paulo. Conforme apurado pelo g1, as crianças estavam sob os cuidados da mãe, de 23 anos, que nega ter cometido as agressões. Ninguém foi preso.
A investigação começou após a Polícia Militar ser acionada, no domingo (19), por uma denúncia de que a mulher, que não teve a identidade divulgada, estaria agredindo os filhos em uma casa na Avenida Rio Amazonas, no bairro Perequê. A ocorrência foi registrada como lesão corporal, maus-tratos e violência doméstica na Delegacia de Polícia de Guarujá.
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Ao chegarem ao local, os policiais encontraram a mulher apresentando falas desconexas e comportamento compatível com um possível surto psicótico. Diante da situação, a PM isolou a área e acionou o Grupo de Ações Táticas Especiais (GATE).
Durante a ocorrência, o companheiro da mulher, pai do menino de 1 ano e 10 meses, chegou ao local e auxiliou os policiais. Com a chave entregue por ele, a equipe entrou na residência, resgatou as crianças e retirou a mulher. Ela precisou ser contida com apoio do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e foi levada, junto com os filhos, para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Rodoviária.
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Crianças feridas
Após atendimento médico, foi constatado que a menina de 5 anos apresentava traumatismo na face, hematomas ao redor dos olhos, inchaço, múltiplas escoriações e sangramento facial, lesões consideradas compatíveis com agressões recentes. Já o bebê sofreu um ferimento em um dos dedos da mão esquerda.
As crianças permaneceram em observação para exames complementares. O Conselho Tutelar foi acionado e determinou o acolhimento institucional dos irmãos em uma casa de passagem para garantir a integridade física e emocional deles.
Versões contraditórias
Segundo o boletim de ocorrência, a mulher apresentou versões contraditórias em depoimento. Ela negou ter agredido os filhos, disse não saber como eles se machucaram e afirmou ser perseguida por vizinhos e por pessoas que monitorariam sua residência. Em outro momento, alegou que o ferimento do menino teria sido causado por ele mesmo ao manusear uma faca.
Inicialmente, a mulher afirmou não fazer acompanhamento psicológico ou psiquiátrico, mas depois disse participar de um grupo de apoio. A polícia destacou que ela apresentou uma narrativa confusa e desorganizada durante o interrogatório.
O companheiro dela afirmou que estava trabalhando quando foi avisado da ocorrência e que não presenciou os fatos. Segundo ele, o casal vive junto há cerca de seis anos e a mulher nunca havia agredido fisicamente as crianças.
O homem acrescentou que a companheira sempre foi protetora com os filhos, não faz uso de drogas e que desconhecia qualquer diagnóstico psiquiátrico, embora tenha percebido mudanças recentes no comportamento dela.
Investigação
Apesar de as crianças apresentarem lesões e estarem sob os cuidados da mãe no momento da ocorrência, a Polícia Civil decidiu não prendê-la em flagrante. A autoridade policial entendeu que não havia testemunhas presenciais nem elementos suficientes para atribuir a autoria das agressões com a segurança jurídica necessária.
A polícia requisitou perícia no imóvel, exames de corpo de delito nas crianças e informou que a investigação seguirá com a análise dos laudos médicos, perícias, depoimentos de testemunhas e da condição psíquica da mulher na data dos fatos.
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