Jair x Flávio Bolsonaro: veja o que cada um disse sobre urnas

Flávio Bolsonaro segue linha do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro e ataca as urnas eletrônicas Reprodução

Em evento com representantes de quase 50 países, Flávio Bolsonaro (PL) reativou um debate conhecido no Brasil sobre as urnas eletrônicas proferido pelo seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, no Palácio da Alvorada, em 18 de julho de 2022. Flávio atacou o meio de votação brasileiro no evento intitulado “Debatendo o Brasil”, em Brasília. 

Tais acusações já foram desmentidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no passado e reforçadas nas audiências que antecederam o período eleitoral deste ano. 

O ponto alto da reunião não foi somente a similaridade do discurso, mas os argumento e toda a cena montada, que vai desde a data de 2026 quase coincidindo com o evento organizado pelo seu pai em 2022, a platéia formada por autoridades estrangeiras.

Alicerce da “transparência”

O senador e seu pai tem a mesma linha argumentativa: levantam a bandeita da “transparência” e mencionam relatórios estrangeiros para apontar fragilidades no sistema e questionam a atuação de empresas particulares no processo de votação.

Flávio Bolsonaro é o filho mais velho do ex-presidente Jair BolsonaroReprodução/redes sociais

Tanto em 2022 quanto em 2026, ambos afirmam ainda que não promovem ataques ao processo eleitoral, mas que apenas pedem que a segurança seja otimizada.

Jair Bolsonaro afirmou aos embaixadores em 2022: “O que eu mais quero por ocasião das eleições é a transparência, porque nós queremos que o ganhador seja aquele que realmente seja votado.”

Há exatos quatro anos depois, em 2026, Flávio Bolsonaro utilizou a mesma construção teórica para os diplomatas: “Não estou questionando o sistema de votação brasileiro, mas que todos os países possam mandar a maior quantidade de observadores possíveis […] e como o Brasil pode ter eleições mais seguras e transparentes.”

A teoria das empresas particulares e das falhas técnicas

Outro ponto que coincide é a tentativa de lançar dúvida quanto a segurança na contagem de votos, sustentando o discurso em supostas falhas tecnológicas ou até mesmo da atuação de empresas terceirizadas no processo.

Durante o encontro no Palácio da Alvorada em julho de 2022, Jair Bolsonaro afirmou quando concorria as eleições para presidente: “Não é o Tribunal Superior Eleitoral quem conta os votos, é uma empresa terceirizada.”

Ex-presidente da República,, Jair Bolsonaro, Iano Andrade / CNI

E agora em julho de 2026, seu filho Bolsonaro indicou que há uma suposta ligação do sistema brasileiro de votação com de países estrangeiros

“Não vou entrar em detalhes”, disse Flávio

Tanto Flávio Bolsonaro quanto seu pai, usam a técnica do “bate e assopra”: levantam uma supeita grave e em seguida, afirmam que não vão falar muito sobre o assunto, deixando a sugestão no ar para o público.

Jair Bolsonaro em 2022: “Teria muita coisa a falar aqui, mas eu quero me basear exclusivamente em um inquérito […] Daria um capítulo, mas eu não vou entrar nesse capítulo aqui […]”.

Flávio Bolsonaro em julho de 2026: “Não vou entrar em mais detalhes, mas só para deixar registrado que muitas dessas máquinas que são utilizadas nas eleições brasileiras são da mesma empresa[..]”.

Senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato a presidência nas eleições de 2026 está oficialmente na mira do STF por filme ‘Dark Horse’Carlos Moura/Agência Senado

Reforço técnico internacional

O ex-presidente atacou a eficácia do TSE em 2022, apontando que eles não auditam nada no processo eleitoral. Já Flávio Bolsonaro usou a pauta para reforçar o apoio técnico internacional, sob a premissa de que o sistema precisa de fiscalização externa para ser seguro:

“Fachin assina acordo do TSE com entidade estrangeira para observação das eleições. Eu peço aos senhores: o que essas pessoas vêm fazer no Brasil? Vêm observar o quê se o sistema é falho?”, afirmou Jair Bolsonaro, em 2022.

“Então o pedido que eu faço a todos aqui […] é que todos os países possam mandar a maior quantidade de observadores possíveis para as nossas eleições […] pessoas que tenham conhecimento sobre essa tecnologia”, ressaltou Flávio Bolsonaro.

O que diz o TSE

Diante a nova “onda”, o TSE reforçou as informações oficiais divulgadas em seu portal em julho de 2026. De acordo com a Justiça Eleitoral, a informação de que a empresa Smartmatic (Venezuela) fornece ou programa as urnas eletrônicas do Brasil é falsa

Corte do TSE em sessão plenáriaLuiz Roberto/TSE

Segundo informações do tribunal, a empresa venezuelana atuou anteriormente somente em serviços de suporte operacional e conexão de dados. A Smartmatic perdeu a licitação para fabricação de urnas em 2020 para a empresa Positivo.

O TSE destacou que todo o programa por trás do sistema de votação é desenvolvido e gerenciado exclusivamente pela equipe técnica do TSE, e funciona em circuito fechado, sem conectividade com a internet.

As declarações de Jair Messias Bolsonaro, em 2022, resultaram em processo da Justiça Eleitoral, em junho de 2023. A maioria da Corte do TSE chegou ao entendimento de que houve abuso de poder político pelo ex-presidente e ainda, uso dos meios de comunicação oficial indevidamente. Bolsonaro foi condenado pela Corte Eleitoral e está inelegível até 2030.

Jair Bolsonaro ficou inelegível até 2030Reprodução

Por meio de nota oficial, a assessoria de Flávio Bolsonaro afirmou que o senador não questionou a integridade das urnas eletrônicas e que seu discurso tinha como objetivo contribuir para a confiança e a transparência pública no processo eleitoral brasileiro.

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