
Em Brasília tem um ditado (informal) que diz o seguinte: se tudo parecer normal numa repartição e o Gilberto Kassab pular a janela, é bom seguir atrás. Ele sempre antevê o que vai acontecer.
O cacique do PSD, aquele partido nem de direita nem de esquerda nem de centro nem muito pelo contrário, não quis amarrar seu burro na candidatura de Flávio Bolsonaro (PL).
Lançou Ronaldo Caiado à Presidência e, desde então, ele se tornou o crítico mais feroz do Zero Um nas redes sociais. Ironizou a carta de Jair Bolsonaro lida pelo pré-candidato. Mostrou para os seguidores a fragilidade de um homem de 45 anos que precisa da autorização do pai para sair sozinho.
Depois, questionou a oportunidade perdida por Flávio Bolsonaro diante de uma plateia de diplomatas. Poderia falar sobre investimentos, parcerias, negócios com outros países. Preferiu falar sobre urnas eletrônicas.
Kassab é o ícone máximo do centrão, mas não o único. Os parceiros viram o ex-prefeito de São Paulo pular da janela e acabam de seguir.
A federação formada por União Brasil e Progressistas já avisou Flávio Bolsonaro que ele pode ir na frente que eles não vão atrás. As legendas ficarão neutras no primeiro turno da disputa presidencial. E assim devem permanecer também no segundo turno.
Flávio queria que viesse do PP a sua candidata a vice. A senadora Tereza Cristina, ex-ministra da Agricultura de Jair Bolsonaro, não topou. Quem acompanhou a negociação diz que o cabeça da chapa não aceitava palpites nem no programa de governo nem na montagem dos palanques estaduais. Não é outra a razão do racha familiar com a madrasta, Michelle Bolsonaro.
Republicanos está perto de oficializar que também não vai amarrar o burro na cerca do Zero Um.
A tomada de decisão é baseada numa análise de risco. Não se sabe quantas fotos ou suspeitas mais devem aparecer sobre o que Flávio já aprontou nos verões passados. E, vendo as curvas das pesquisas, sabem que o caminho da desidratação é real.
Tem ex-aliado, como o ex-deputado Julian Lemos, que já fez a aposta: Flávio não aguenta 30 dias de campanha.
Valdemar Costa Neto, menos sincero, atribuiu os desatinos a uma suposta falta de preparo ao assumir a missão. Na linguagem diplomática, é uma espécie de “pede pra sair” a poucas horas da convenção.
