
A publicação da 20ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgada hoje (23/07/2026), nos coloca diante de um espelho que, infelizmente, ainda reflete uma face dura da nossa sociedade. Os dados consolidados de 2025 revelam um Brasil de contrastes: se por um lado comemoramos a menor taxa de Mortes Violentas Intencionais (MVI) desde 2012, por outro, somos assombrados pela persistência implacável da violência contra a mulher e pela crescente vitimização de nossas crianças e adolescentes.
O Anuário deixa claro que o lugar que deveria ser o mais seguro para as mulheres (seus lares e círculos de confiança), continua sendo o mais letal. Os índices de feminicídio não recuam na velocidade que a civilidade exige. Enquanto gestor público, sei que a indignação não basta; é preciso que a política se transforme em escudo.
Nossas Ações em Jaguariúna
A proteção da mulher sempre foi um pilar inegociável da minha trajetória na vida pública. Durante meus mandatos como prefeito de Jaguariúna, não cruzamos os braços à espera de estatísticas favoráveis; nós fomos à luta para criá-las. Em 2018, inauguramos o primeiro Centro de Atenção à Mulher do município, um espaço dedicado a acolher, orientar e proteger. No mesmo ano, entregamos uma viatura específica para o combate à violência contra a mulher, garantindo um patrulhamento ostensivo e focado nessa ferida social.
Sabendo que a continuidade das políticas públicas exige participação da sociedade, sancionei a lei que criou o Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, o qual tivemos a honra de dar posse efetiva em 2022. Mais do que obras, entregamos ferramentas de empoderamento e rede de apoio, consolidando Jaguariúna como uma cidade que protege e valoriza suas cidadãs, mantendo, inclusive, 70% das secretarias municipais sob liderança feminina em nosso governo.
A infância e a neurodivergência
Outro ponto que nos tira o sono no relatório atual é a escalada da violência contra crianças e adolescentes. O Anuário nos mostra um crescimento contínuo de agressões e estupros de vulneráveis na última década, com a maioria das vítimas tendo menos de 13 anos. Mas, como alguém que atua profundamente na defesa da conscientização sobre o autismo, preciso jogar luz sobre uma vulnerabilidade invisível nas entrelinhas desses dados: as nossas crianças neurodivergentes.
“A segurança pública precisa ser interseccional. Uma criança autista, muitas vezes, não tem os mesmos recursos de comunicação para denunciar um abuso ou compreender uma situação de perigo.”
Embora os relatórios macro de segurança ainda precisem avançar para tipificar especificamente as violências sofridas por pessoas atípicas, sabemos que elas são alvos preferenciais da covardia. Proteger as crianças e adolescentes neurodivergentes exige que as forças de segurança passem por treinamentos específicos de abordagem e escuta qualificada. Exige uma rede de proteção em que a saúde, a assistência social e a segurança falem a mesma língua.
De qualquer maneira, o Anuário de 2026 não é apenas um documento de diagnóstico estatístico; é uma cobrança urgente. Que os números de hoje sejam o combustível para as políticas de amanhã. A proteção da vida, em toda a sua diversidade, não permite recuos e temos que falar sobre isso às claras. Por isso, diante de uma situação de agressão, denuncie. Ligue 180.
