Comitê antecipa geração de energia para evitar impacto do El Niño

Torres de energia no Rio de Janeiro Custódio Coimbra / Agência O Globo

Para evitar possíveis impactos do El Niño no fornecimento de energia, o Governo Federal decidiu antecipar a entrada em operação de 1,8 gigawatt (GW) no Sistema Interligado Nacional (SIN). A medida, aprovada nesta quarta-feira (22) pelo Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), começa a valer em 1º de setembro e busca reforçar o abastecimento diante da previsão de temperaturas mais altas no segundo semestre de 2026.

A antecipação envolve cinco contratos de energia e um contrato de potência, todos vencedores dos leilões de reserva de capacidade realizados em março deste ano. Ao todo, os certames contrataram 2,2 GW de energia.

De acordo com parecer do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), há elevada probabilidade de ocorrência do El Niño nos próximos meses. Caso isso se confirme, a Região Norte poderá registrar redução na geração de energia, enquanto o consumo de eletricidade deve aumentar por causa das altas temperaturas.

Além das condições climáticas, o cenário internacional também influenciou a decisão. Segundo o CMSE, as incertezas provocadas pelos conflitos no Oriente Médio podem elevar os preços dos combustíveis, tornando mais caro o acionamento de usinas sem contrato.

Estudos do Ministério apontam que utilizar usinas na modalidade merchant para atender à demanda pode custar, no mínimo, 25% a mais do que a energia contratada nos leilões de reserva.

O que é o El Niño?

O El Niño é uma das fases do ENOS (El Niño-Oscilação Sul) e ocorre quando as águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial ficam mais quentes do que o normal. Esse aquecimento altera a circulação dos ventos e o regime de chuvas em diferentes regiões do planeta.

Super El Niño: saiba quais serão os impactos do fenômeno em São PauloFoto: NOAA

O ciclo possui três fases:

  1. El Niño: aquecimento das águas do Pacífico;
  2. La Niña: resfriamento dessas águas;
  3. Fase neutra: quando nenhum dos dois fenômenos predomina.

No Brasil, os efeitos costumam variar conforme a região. Enquanto o Sul tende a registrar chuvas acima da média, parte do Norte e do Nordeste pode enfrentar períodos mais secos.

Previsão é de um dos eventos mais intensos das últimas décadas

As projeções dos principais centros meteorológicos indicam que o El Niño deve ganhar força ao longo do segundo semestre. Segundo a National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), há 81% de probabilidade de o fenômeno atingir a categoria “muito forte” entre outubro e dezembro. Se a previsão se confirmar, esse poderá ser o evento mais intenso desde o início das medições, em 1950.

A Organização Meteorológica Mundial (OMM) também alerta que o El Niño deve atingir seu pico entre novembro deste ano e fevereiro de 2027. As projeções indicam que, em algumas áreas do Pacífico Equatorial, a temperatura da superfície do mar poderá ficar mais de 2°C acima da média, aumentando as chances de ondas de calor, secas, tempestades e chuvas intensas em diferentes partes do mundo.

Com a previsão de temperaturas mais altas e possíveis impactos na geração de energia, o governo decidiu agir antes da chegada do período mais crítico. Agora, resta acompanhar a evolução do El Niño e entender como o fenômeno poderá influenciar o clima e o fornecimento de energia nos próximos meses.

*Estagiária sob supervisão

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