TSE pede que tribunais combatam desinformação eleitoral

Presidente do TSE orienta os tribunais regionais eleitorais (TREs) a firmarem acordos de cooperação técnica com instituições especializadas em IA, perícia digital e análise de conteúdosAlejandro Zambrana/Secom/TSE

O amplo uso da Inteligência Artificial (IA) e a velocidade que um conteúdo manipulado circula embasaram o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a implementar um  novo plano para blindar as eleições 2026. Em recomendação enviada aos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) nesta quarta-feira (22), a Corte orientou que as autoridades estaduais firmem parcerias estratégicas para combate às fake news.

O presidente do TSE, ministro Nunes Marques, instruiu que os tribunais de cada estado estabeleçam acordos de cooperação com institutos especializadas em perícia digital, análise de dados e tecnologia da informação para combater as investidas de desinformação nesse pleito. 

Segundo a Justiça Eleitoral, ações fraudulentas estão cada vez mais difíceis de identificar a primeiro momento, por conter “conteúdos sintéticos” e as chamadas deepfakes – vídeos e áudios são clonados por algoritmos com a intenção de distorcer a mensagem.

Pedido nacional

Na orientação encaminhada aos tribunais regionais, o TSE ressalta a necessidade de “ampliar o acesso a suporte técnico especializado para a produção de provas em ações judiciais e representações eleitorais”.

A medida, segundo o TSE, também pretende conferir maior segurança jurídica à análise de casos que exijam conhecimento especializado de peritos.

Essa parceria proporciona na prática que os processos judiciais passem a ter laudos técnicos incontestáveis e de forma mais rápida, o que garantes uma resposta mais rápida da Justiça Eleitoral: punições antes mesmo que conteúdos falsos afetem o equilíbrio das eleições.

Mais de 158 milhões de brasileiros estão aptos a votar em 2026Fernando Frazão/Agência Brasil – 29.09.2022

Diretriz nacional determina método de atuação

A orientação do TSE é baseada tanto nas regras atualizadas das eleições desde ano, quanto na Resolução TSE nº 23.610/2019, ajustada pela Resolução TSE nº 23.755/2026 e estão alinhadas a temática da crescente das tecnologias digitais. 

Isso significa que ao firmar esses acordos, os tribunais regionais vão poder utilizar laboratórios equipados, trocar metodologias de investigação digital e compartilhar cadastros periciais oficiais com fim de atuar nos casos complexos de fake news.

Avanço das redes sociais aumentou os conflitos digitais que são investigadosos de crimes cibernéticosReprodução

Além dessa infraestrutura de ponta, a medida engloba a atualização constante de magistrados e servidores da Justiça Eleitoral.

Segundo o TSE, essa atividade conjunta vai resultar na criação de manuais padronizados procedimentais para coletar e preservar as provas digitais, criando um espécie de banco de dados para acelerar análises de denúncias apresentadas por candidatos ou partidos políticos durante o período eleitoral.

Cooperação institucional

O órgão eleitoral superior destaca que que os acordos vão respeitar a autonomia da autoridade judicial local:

O TSE informa ainda que as parcerias devem respeitar as Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e a chamada cadeia de custódia das provas coletadas – procedimento legal de preservação, identificação, coleta, armazenamento, registro e descarte da evidência.

Todos os acordos firmados pelos TREs pelo país serão compartilhados (cópias) diretamente com o presidente do TSE.

O tribunal superior vai acompanhar os resultados através de indicadores técnicos de desempenho e fará avaliação do impacto real dessa cooperação até o dia da votação, em outubro de 2026.

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