
A Polícia Civil investiga o desaparecimento de um funcionário público em Itajubá, no Sul de Minas. Emerson José Kischel, de 50 anos, foi visto pela última vez na segunda-feira (20), após sair do trabalho na rodoviária da cidade. O caso se soma a outras ocorrências registradas na região, que já contabiliza mais de 1,3 mil registros de desaparecimento neste ano.
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Emerson trabalha como guarda patrimonial na rodoviária de Itajubá. Segundo a esposa, Valquíria Aparecida Simões Kichel, ele deixou o trabalho por volta das 14h após reclamar de dor de cabeça. Antes de seguir para casa, ele disse que passaria em um supermercado, mas nunca chegou ao destino. A família tenta contato desde então, sem sucesso.
“Não sei se por ele estar com dor de cabeça pode ter acontecido alguma coisa. Ele passou mal, porque ele estava de bicicleta, uma bicicleta preta, tinha uma cestinha de feira atrás, ele estava com uma mochila preta e ele usava uma calça jeans, tênis preto e uma jaqueta com o emblema da prefeitura. A gente não consegue falar no celular dele, fica dando sempre na caixa postal, não consegue falar no WhatsApp de jeito nenhum”, relatou a esposa.
Guarda patrimonial desaparece após sair do trabalho; Sul de MG soma mais de 1,3 mil casos em 2026
Reprodução EPTV
A Prefeitura de Itajubá informou que disponibilizou imagens de câmeras de monitoramento às autoridades. A Polícia Civil disse que todas as hipóteses estão sendo analisadas durante a investigação.
Outros casos na região
Neste mês, outro desaparecimento também mobilizou buscas no Sul de Minas. João Batista de Andrade, de 74 anos, desapareceu após sair de uma consulta médica em Boa Esperança, no dia 3 de julho.
Morador de Ilicínea, ele foi visto pela última vez nas proximidades de uma agência da Caixa Econômica Federal na cidade.
Dados da Polícia Civil apontam que, entre janeiro e 17 de julho deste ano, foram registrados mais de 1.300 desaparecimentos nas cidades mais populosas da região. Poços de Caldas lidera o número de ocorrências, com 436 casos. Em seguida aparecem Pouso Alegre, com 421 registros, Varginha, com 292, e Passos, com 232.
João Batista de Andrade, de 74 anos, desapareceu após sair de uma consulta médica em Boa Esperança
Reprodução EPTV
A dor de quem espera notícias
A falta de informações é uma das maiores dificuldades enfrentadas pelas famílias. Em Pouso Alegre, a aposentada Maria Aparecida da Silva procura pelo filho Heber Silva Pinto há mais de um ano.
“Eu tenho vontade de só ficar deitada aqui o dia inteiro e chorando o dia inteiro por causa dele. E foto eu não posso nem pegar. Tenho muita saudade dele, muita, muita saudade dele. Que ele estivesse aqui comigo”, desabafou.
Heber desapareceu aos 47 anos após receber alta do Hospital das Clínicas Samuel Libânio, em 14 de fevereiro de 2025. Segundo a mãe, ele havia sido internado depois de sofrer um corte na cabeça provocado por um desmaio.
Maria Aparecida contou que deixou o hospital para buscar roupas limpas após ser informada de que o filho só teria alta na manhã seguinte. Ao retornar, descobriu que ele havia deixado a unidade na noite anterior.
“O porteiro falou assim, o Heber? Falei, é, meu filho. E falou assim, o Heber tomou alta, o doutor deu alta para ele, ontem, 11h30 da noite, ele foi embora. Aí eu entrei em pane lá dentro do hospital, fiquei em grito, em choro, mas não está lá em casa, ele não chegou lá em casa. Não sei onde ele foi. Aí o doutor falou, mas eu dei alta para ele, porque eu perguntei para ele, ele falou que ia embora, que está bom”, contou.
Heber Silva Pinto está desaparecido há mais de um ano
Reprodução EPTV
Maioria dos casos envolve homens
De acordo com a Polícia Civil, Minas Gerais registrou 5.348 ocorrências de desaparecimento neste ano. Desse total, 65,15% envolvem homens e 34,78%, mulheres.
A faixa etária com maior número de registros é a de adolescentes entre 12 e 17 anos, que soma 1.297 casos.
O tenente Rafael Miranda, da Polícia Militar, destacou que conflitos familiares e situações relacionadas ao uso de álcool e drogas estão entre os fatores observados em muitos desaparecimentos de adolescentes.
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“A primeira ação é o registro policial. Ligue o 190, procure uma delegacia mais próxima. Isso é um mito, que há necessidade de 24 horas depois você relatar o fato do desaparecimento. Quanto antes o familiar ou uma pessoa próxima constatou esse desaparecimento, procure a polícia para realmente realizar esse registro e posteriormente as diligências para tentar encontrá-la”, orientou.
Segundo a polícia, não houve novidades sobre os três casos citados na reportagem. As investigações continuam.
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