
Redação DW
Os Estados Unidos anunciaram nesta quinta-feira (23/07) novas tarifas de 10% a 12,5% sobre importações de cerca de 60 parceiros comerciais. O Brasil será atingido pela alíquota máxima. Segundo o governo do presidente Donald Trump, esses países fiscalizam de forma insuficiente o trabalho forçado.
As novas tarifas entram em vigor na madrugada desta sexta-feira, momento em que expira uma taxa temporária global de 10%, implementada por Washington após a Suprema Corte dos EUA derrubar, em fevereiro, o tarifaço “recíproco” de 10% a 50%. Mercadorias já em trânsito ficarão isentas até 28 de julho.
A nova taxa de 10% é aplicada a 17 países que possuem uma proibição de importação de produtos feitos com trabalho forçado, assumiram o compromisso de implementar e aplicar essa proibição ou adotam regime similar. Para todas as demais 43 economias investigadas, a tarifa adequada da Seção 301 será de 12,5% (leia mais abaixo).
Entre os novos sancionados estão a União Europeia e economias como China, Japão, Índia, Reino Unido, Canadá e Argentina, além do Brasil.
Governo rejeita substituição tarifária
Apesar da coincidência de datas, o governo rejeita a avaliação de que as novas tarifas relacionadas ao trabalho forçado sejam apenas uma substituição das taxas que estão expirando.
“Os Estados Unidos mantêm uma proibição à importação de mão de obra forçada há quase um século e a aplicam rigorosamente; já passou da hora de nossos parceiros comerciais fazerem o mesmo”, afirmou o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer.
Diversos produtos ficarão isentos das novas taxas, entre eles petróleo e gás, fertilizantes, determinados alimentos e mercadorias já sujeitas às tarifas de segurança nacional, como automóveis, aço, alumínio e cobre.
Também estarão isentos os bens que atendam às regras do Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA), em razão da forte integração das cadeias produtivas norte-americanas e do elevado conteúdo de origem americana nesses produtos.
Brasil acumula sanções
Entre os países afetados pela medida está o Brasil. Segundo o governo americano, a investigação conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 concluiu que o país não adota mecanismos considerados suficientes para impedir a entrada ou a circulação de produtos fabricados com trabalho forçado, o que configuraria uma prática comercial desleal. Veja como o Brasil combate o trabalho análogo à escravidão.
Em relatório divulgado neste mês, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) afirmou que a ausência dessas restrições cria condições de concorrência consideradas desfavoráveis para empresas e trabalhadores americanos.
No caso brasileiro, o relatório aponta que o país mantém compromissos de combate ao trabalho escravo, mas avalia que não há uma proibição considerada efetiva para barrar a importação destas mercadorias.
A nova cobrança se soma às pressões tarifárias já impostas por Washington sobre outros produtos brasileiros, taxados em 25%, o que pode elevar ainda mais a carga total incidente sobre parte das exportações do país aos Estados Unidos.
Segundo o governo americano, mudanças legislativas recentes em alguns países, entre eles a Índia, permitiram sua inclusão na faixa tarifária mais baixa de 10%.
Quais países foram taxados?
As economias taxadas em 10% são:
- Argentina
- Bangladesh
- Camboja
- Canadá
- Equador
- El Salvador
- Guatemala
- Honduras
- Índia
- Indonésia
- Jordânia
- Malásia
- México
- Paquistão
- Reino Unido
- Sri Lanka
- Trinidad e Tobago
Já os países taxados em 12,5% são:
- África do Sul
- Arábia Saudita
- Argélia
- Austrália
- Bahamas
- Bahrein
- Brasil
- Catar
- Cazaquistão
- Chile
- China
- Colômbia
- Coreia do Sul
- Costa Rica
- Egito
- Emirados Árabes Unidos
- Filipinas
- Guiana
- Hong Kong (China)
- Iraque
- Israel
- Japão
- Kuwait
- Líbia
- Marrocos
- Nicarágua
- Nigéria
- Noruega
- Nova Zelândia
- Omã
- Peru
- República Dominicana
- Rússia
- Singapura
- Suíça
- Taiwan
- Tailândia
- Tunísia
- Turquia
- União Europeia
- Uruguai
- Venezuela
- Vietnã
gq (AP, Reuters, OTS)
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Autor: Redação DW
