
A empresária Ana Paula Lima de Souza Mariano, proprietária de uma rede de clínicas de estética investigada por deixar dezenas de pacientes com sequelas após procedimentos, continua divulgando seus serviços nas redes sociais, mesmo estando foragida da Justiça, dizendo que, as investigações estão trazendo “cada vez mais like” para o seu trabalho.
Nesta sexta-feira (24), a Polícia Civil realizou uma nova operação para tentar localizar a investigada, que é alvo de um mandado de prisão preventiva.
Segundo as investigações, ao menos 20 pacientes já registraram denúncias relatando complicações graves após procedimentos realizados na clínica, em São João de Meriti, na Baixada Fluminense.
Mesmo procurada, Ana Paula postou um vídeo recente nas redes sociais, sem parecer nem um pouco preocupada com a situação, e ainda afirmou ironicamente que a repercussão do caso aumentou sua popularidade na internet.
De acordo com a Polícia Civil, mesmo após ter sido alvo de uma operação em no começo do mês de junho, Ana Paula permaneceu divulgando os seus serviços nos seus perfis e passou a divulgar também trabalhos de micropigmentação.
Em nota, a Polícia Cívil informou que também apura a abertura da nova unidade anunciada na Barra da Tijuca.As investigações são conduzidas pela Delegacia do Consumidor (Decon).
Como funcionava a clínica
Segundo a polícia, a empresária anunciava serviços de aplicações de ácido hialurônico para remodelação dos glúteos, mas na verdade utilizava polimetilmetacrilato (PMMA), que é uma substância, que tem seu uso estético proibido pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e pelo Conselho Federal de Odontologia (CFO).
Durante as diligências, agentes também encontraram medicamentos, soros e outros materiais com prazo de validade vencido, além de outras irregularidades na clínica.

A polícia também afirma que Ana Paula não possuía a qualificação necessária para realizar os procedimentos oferecidos. A assistente dela, que participava dos atendimentos, foi presa durante a investigação.
As vítimas relatam que enfrentam sequelas físicas e emocionais após os procedimentos. Uma delas afirmou ter desenvolvido 11 nódulos nos glúteos e uma infecção bacteriana, que exigiu internação e tratamento com antibióticos intravenosos. Outra paciente disse ter ficado internada por cerca de um mês após apresentar fortes dores e febre poucos dias depois da intervenção.
A Polícia Civil do Rio de Janeiro acredita que o número de vítimas possa ser maior e orienta que pessoas que tenham sofrido complicações após procedimentos realizados na clínica procurem uma delegacia para registrar ocorrência.

O Disque Denúncia também divulgou um cartaz para auxiliar nas buscas por Ana Paula Lima de Souza Mariano. Informações sobre o paradeiro da investigada podem ser repassadas às autoridades de forma anônima.
O iG procurou a defesa de Ana Paula Lima, mas não obteve respostas. O espaço segue aberto para esclarecimentos.
