
Imagem de um Austroboletus festivus
gabrielprado13 / iNaturalist
Os fungos passaram a integrar, pela primeira vez, uma lista nacional oficial de espécies ameaçadas de extinção no Brasil. A medida foi estabelecida pela Portaria GM/MMA nº 1.696, de 28 de maio de 2026, publicada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), que reconhece 24 espécies da funga brasileira em diferentes categorias de risco.
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De acordo com o artigo 1º da norma, “ficam reconhecidas como espécies da funga brasileira ameaçadas de extinção aquelas constantes da ‘Lista Nacional Oficial das Espécies da Funga Ameaçadas de Extinção'”, que também informa o grau de ameaça de cada espécie.
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Quais fungos estão nesta lista
Ao todo, a lista reúne 21 espécies classificadas como Vulneráveis (VU) e três como Em Perigo (EN). São elas:
Espécies Vulneráveis (VU)
Acanthocorticium brueggemannii
Amanita viscidolutea
Heteroradulum brasiliense
Austroboletus festivus
Wrightoporia porilacerata
Antrodia neotropica
Amauroderma renidens
Gloeocantharellus aculeatus
Coltricia permollis
Phylloporia minuta
Trichaptum fissile
Skeletocutis roseola
Meruliopsis cystidiata
Trametopsis brasiliensis
Laetiporus squalidus
Morganella austromontana
Gerronema viridilucens
Marasmius horridulus
Blumenavia crucis-hellenicae
Phallus aureolatus
Phallus glutinolens
O biólogo Maurício Rodrigues diz que “a inclusão histórica de 24 espécies da nossa funga – como o Lactifluus marielleae e outras espécies ‘Em Perigo’ ou ‘Vulneráveis’ – é mais do que um alerta, é uma medida de sobrevivência sistêmica. Proteger esses organismos de atividades como a coleta indiscriminada e o desmatamento não é apenas salvar um cogumelo; é garantir a preservação de processos ecológicos inteiros que dependem deles para continuar existindo.”
Veja o que é destaque no g1:
Agora no g1
Espécies Em Perigo (EN)
Tylopilus dunensis
Lactifluus marielleae
Sclerogaster araripensis
Além de oficializar a lista, a portaria estabelece proteção integral às espécies enquadradas nas categorias Extintas na Natureza (EW), Criticamente em Perigo (CR), Em Perigo (EN) e Vulnerável (VU).
Segundo o artigo 2º, essas espécies ficam protegidas por medidas que incluem “a proibição de coleta, corte, transporte, armazenamento, manejo, beneficiamento e comercialização”.
Imagem de um Wrightoporia porilacerata
deboas / iNaturalist
A norma prevê exceções para exemplares cultivados e licenciados, além de autorizar atividades voltadas à pesquisa científica, conservação e inventários ambientais, desde que haja autorização do órgão ambiental competente.
Outro ponto previsto na portaria é que a lista poderá ser atualizada. Conforme o artigo 4º, “poderão ser realizadas atualizações específicas na Lista a partir de dados atualizados de monitoramento e aporte de conhecimento científico sobre o estado de conservação das espécies”.
Imagem de um Blumenavia crucis-hellenicae
mpaiao / iNaturalist
Importância dos fungos
Embora pouco conhecidos pelo público, os fungos desempenham papel fundamental para o equilíbrio dos ecossistemas.
Eles participam da decomposição da matéria orgânica, reciclam nutrientes e estabelecem associações com as raízes de diversas plantas, contribuindo para a absorção de água e nutrientes e para a manutenção da saúde das florestas.
“Muitas vezes invisíveis aos nossos olhos, os fungos são os verdadeiros motores de reciclagem da natureza. A ciência nos mostra que, ao participarem ativamente da decomposição da matéria orgânica, eles garantem que os nutrientes não fiquem presos em organismos mortos, mas retornem ao solo. Sem esse trabalho contínuo, nossos ecossistemas entrariam em colapso, sufocados e sem nutrientes para sustentar novas vidas”, finaliza Rodrigues.
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