
Influencer cearense com doença rara morre após duas semanas de internação
Reprodução
A influencer cearense Káh Felipe, que foi diagnosticada com Xeroderma Pigmentoso, morreu na tarde desta sexta-feira (24), em Fortaleza. Desde que teve o diagnóstico de metástase, há cerca de três meses, ela recorria a doses de morfina para controlar as dores que atingiam seus ossos, fígado e pulmão.
A morte de Karine de Sousa foi divulgada no perfil oficial dela, onde acumulava mais de 750 mil seguidores e mostrava detalhes da rotina. Conforme a publicação, a influenciadora faleceu por volta das 14 horas desta sexta-feira (24).
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Ela estava internada há 18 dias após sentir fortes dores e inchaço na perna esquerda, tendo passado por algumas unidades de saúde, como o Hospital Geral de Fortaleza e o Hospital Universitário do Ceará. Neste período, ela estava em tratamento de uma pneumonia e outros problemas atribuídos aos efeitos colaterais da quimioterapia.
“Nossa guerreira cumpriu sua missão e deixou um legado de força, coragem e, acima de tudo, de fé. A fé era a palavra que melhor a definia. Ela acreditou até o fim e lutou com todas as suas forças, sem nunca perder a esperança”, divulgou o perfil por onde Karine atualizava os seguidores.
Desde que teve o diagnóstico de metástase, a vida de Káh mudou completamente. A médica havia dado uma previsão de seis meses a dois anos de vida. A partir de então, ela passou a se descrever como “uma paciente paliativa em fase terminal”.
Rotina de dores
Influencer cearense com doença rara revelou diagnóstico de metástase.
Karine recorria a doses de morfina para aliviar as dores físicas. A medicação era administrada a cada quatro horas. Quando a morfina não era suficiente, ela era levada à emergência do Instituto do Câncer do Ceará (ICC), onde recebia cuidados paliativos.
Ela começou a apresentar os primeiros sintomas da doença ainda aos três anos de idade, com manchas que a família achava se tratar de sardas. No entanto, a doença foi se desenvolvendo e causando tumores na pele dela.
A influenciadora usava as redes sociais para compartilhar a própria rotina e também os desafios de conviver com a doença rara. Ela era casada e deixa uma filha.
Edmilson, marido de Karine, também comentava sobre os desafios da rotina após o diagnóstico da influenciadora.
“Eu tô vendo a mulher mais forte desse mundo desmoronar, chorar, se perguntar por quê. Eu fico revoltado. Eu não sei o que fazer. Eu não tenho o que fazer. Eu não posso fazer nada a não ser dar o meu apoio e ser o mais forte que eu conseguir no meio disso tudo. Embora, muitas vezes, em vez de ser a força, eu sou a fraqueza, porque eu choro mais do que ela”, desabafou à época.
O que é a doença?
A Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) explica, no site da instituição, que o Xerodema Pigmentoso (XP) é uma doença genética, não contagiosa, que afeta igualmente ambos os sexos e é caracterizada por uma extrema sensibilidade à radiação ultravioleta (presente nos raios solares).
“Afeta, portanto, as áreas do corpo mais expostas ao sol como a pele e os olhos. Em pessoas com esse problema, após exposição à luz solar surge um ‘defeito’ no reparo do DNA, com possibilidade da pele formar câncer cutâneo”, explicou.
A entidade falou também que alguns indivíduos com XP podem apresentar envolvimento neurológico, mas é raro. “As chances de desenvolver XP são, segundo estatísticas norte-americanas e europeias, de 1 para 1 milhão. Portanto, uma afecção rara. Como é uma patologia hereditária, há transmissão genética para familiares”, destacou.
💡 O XP não se contrai por meio de contato físico (pessoa-pessoa), nem mesmo por contato com secreções, aerossóis (“espirros”, por exemplo). Os portadores da doença podem compartilhar de interação social, frequentando ambientes públicos, como colégios, creches etc., mas com extrema proteção solar, sem qualquer prejuízo a qualquer indivíduo.
A SBD explicou que a doença é tratada por meio da remoção de eventuais tumores e terapias tópicas com medicações apropriadas.
“No aspecto emocional, é importante que portadores da doença tenham amigos e sejam compreendidos, pois não devem se abster do convívio social. Com as devidas medidas de fotoproteção e prevenção, podem e devem participar de todas as atividades da comunidade da qual fazem parte”, destacou a entidade.
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