Superlotação faz pacientes serem atendidos em corredores no Hospital Regional de Presidente Prudente


Hospital Regional de Presidente Prudente opera acima da capacidade máxima
Pacientes estão sendo atendidos nos corredores do Hospital Regional (HR) de Presidente Prudente (SP) devido à superlotação da unidade. A situação foi denunciada à TV TEM e confirmada pelo Departamento Regional de Saúde (DRS), que atribui a alta ocupação ao aumento de casos de doenças respiratórias.
Uma denúncia encaminhada à TV TEM relata que pacientes estão acomodados em macas nos corredores do hospital, sem condições consideradas adequadas de internação.
📲 Participe do canal do g1 Presidente Prudente e Região no WhatsApp
Superlotação faz pacientes serem atendidos em corredores no HR de Presidente Prudente
Arq
De acordo com a denúncia, um dos pacientes necessita de cirurgia com urgência. A família afirma que ele procurou atendimento em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) no dia 16 de julho.
Na data, o paciente levou exames realizados na rede particular e um encaminhamento médico que apontava a gravidade do quadro clínico. Ainda assim, a vaga hospitalar teria sido disponibilizada apenas no dia 21 de julho.
Conforme o relato, a expectativa era de que o paciente fosse internado em um leito. No entanto, ao chegar ao hospital, permaneceu em um corredor, em condições consideradas precárias pelos familiares. “Corredor não é internação”, resume a denúncia.
LEIA TAMBÉM
Tempo seco e frio favorecem coceira nos olhos; hábito pode contribuir para doenças, alertam especialistas do interior de SP
Vacinação contra a dengue é ampliada para pessoas a partir de quatro anos em Presidente Prudente; confira
Fila por leitos em hospitais de Bauru tem espera de até nove dias e pacientes em corredores
Os familiares também afirmam que a superlotação tem sobrecarregado as equipes de saúde, o que, segundo eles, acaba refletindo no atendimento, com episódios de grosseria e desrespeito envolvendo pacientes e acompanhantes.
A denúncia ainda questiona a prioridade de atendimento dentro da unidade e afirma que pacientes do sistema prisional estariam sendo atendidos antes de outros casos. A alegação representa a percepção da família e deverá ser esclarecida pela direção do hospital.
Imagens registradas no interior do hospital foram encaminhadas à reportagem para ilustrar a situação. A família afirma que decidiu tornar o caso público para cobrar providências das autoridades competentes e pede a apuração dos fatos pelos órgãos de fiscalização.
Hospital Regional (HR) de Presidente Prudente (SP)
Arquivo/g1
O que dizem os responsáveis?
O Departamento Regional de Saúde (DRS) de Presidente Prudente informou à TV TEM que o Hospital Regional de Presidente Prudente é referência em alta e média complexidade para os 45 municípios que compõem a região.
Segundo o órgão, entre os meses de março e julho ocorre aumento na demanda por atendimentos de urgência e emergência em razão da sazonalidade dos vírus respiratórios, o que pode provocar, pontualmente, maior ocupação da unidade.
O DRS orienta que, para os casos leves, a população deve procurar as unidades de atenção básica, como as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs).
Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Zona Norte de Presidente Prudente
Emerson Sanchez/TV TEM
Ainda conforme a nota, o Hospital Regional de Presidente Prudente acolhe todos os pacientes que o procuram atendimento e utiliza o Protocolo de Manchester para classificação de risco, priorizando os casos de maior gravidade.
O órgão confirmou que, neste momento, o hospital opera acima da capacidade e informou que mantém diálogo constante com os serviços de saúde da região para realizar os encaminhamentos necessários.
Sobre a alegação de prioridade no atendimento a pacientes do sistema prisional, o DRS reiterou que o atendimento é definido exclusivamente por critérios assistenciais e pela classificação de risco.
No último ano, a unidade ampliou sua capacidade assistencial com 36 novos leitos de clínica cirúrgica e duas novas salas cirúrgicas. A ampliação representa um aumento de 30% na capacidade mensal de cirurgias eletivas, beneficiando mais de dois mil pacientes por ano.
Síndrome respiratória aguda grave
O tempo seco e a oscilação da temperatura, característicos do inverno na região de Presidente Prudente, pressionam o atendimento nas Santa Casas e prontos-socorros.
Números da Secretaria Estadual da Saúde mostram que cresceu a incidência da síndrome respiratória aguda grave (SRAG), que reúne os casos mais graves de infecções respiratórias e exige hospitalização.
Inverno faz crescer a incidência da síndrome respiratória aguda grave (SRAG)
Reprodução/RBS TV
Na região, somente neste ano, Presidente Prudente lidera em número absoluto de registros, com 46 casos e quatro mortes.
Rosana chama a atenção pela maior incidência proporcional: são 14 casos, três óbitos e taxa de 82,83 casos para cada 100 mil habitantes.
Confira os números de casos e de mortes por síndrome respiratória na região:
Presidente Prudente
Casos: 46
Mortes: 4
Rosana
Casos: 14
Mortes: 3
Dracena
Casos: 15
Mortes: 2
Pirapozinho
Casos: 4
Mortes: 1
Presidente Venceslau
Casos: 4
Mortes: 1
Quatá
Casos: 3
Mortes: 1
Euclides da Cunha Paulista
Casos: 1
Mortes: 1
Paulicéia
Casos: 1
Morte: 1
Lotação nas unidades de saúde
Em Rancharia, município que costuma registrar algumas das menores temperaturas da região, o movimento no Pronto-Socorro do Hospital e Maternidade segue acima do normal.
O presidente da unidade, Nelson Coletto, ressalta que a situação está sob controle e que, até o momento, nenhum paciente precisou ser transferido por falta de vaga.
Ainda assim, o cenário preocupa: dos 105 leitos disponíveis, a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e a ala de observação operam com lotação máxima.
Fernando Costa Moraes, médico do pronto-socorro de Rancharia, reforça a atenção para a situação clínica. “No inverno, a gente tem realmente uma sobrecarga, um aumento de demanda importante nos casos de doenças respiratórias”, diz.
Devido a este aumento, há possibilidade de os casos serem atendidos na UTI, como infecções e complicações das doenças pulmonares obstrutivas crônicas, no caso da asma, explica o especialista.
Vacina disponível no SUS é aplicada em gestantes para proteger bebês de doenças respiratórias graves
Reprodução/TV Globo
Aumento de casos na região
O da demanda pelo serviço de saúde não é exclusivo de Rancharia. Na Santa Casa de Martinópolis, a ocupação chega a 80% dos leitos de internação, impulsionada principalmente pelo crescimento de pacientes com doenças respiratórias nesse período.
Em Álvares Machado, os dados consolidados entre março e meados de julho evidenciam o impacto do período de frio na saúde da população.
Os casos de pneumonia passaram de nove registros em março para 27 entre junho e julho, um aumento de 200%.
Já os atendimentos por infecções das vias aéreas superiores, como faringites, laringites e sinusites, cresceram de 27 para 95 casos no mesmo período, alta de 252%.
A equipe de enfermagem da Santa Casa de Álvares Machado destaca que o avanço dos casos acompanha a maior circulação de vírus durante o inverno. Por causa disso, os servidores reforçam a necessidade de manter os cuidados preventivos.
Initial plugin text
Veja mais notícias no g1 Presidente Prudente e Região
VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM
Adicionar aos favoritos o Link permanente.