
Imagem de arquivo mostra barriga de mulher grávida
Reprodução/DPESP
Uma mulher deu à luz um menino, neste domingo (26), em Fernando de Noronha. Em qualquer outro lugar, o registro de um nascimento seria um acontecimento trivial. Mas, na ilha oceânica situada a cerca de 545 quilômetros (ou 300 milhas náuticas) do Recife, partos não podem ser realizados há mais de 20 anos.
Segundo a Administração de Fernando de Noronha, a mulher deu entrada no Hospital São Lucas sem informar que estava grávida. Ela já chegou em trabalho de parto avanço, tornando inviável a transferência para a capital pernambucana.
✅ Receba no WhatsApp as notícias do g1 PE
Não há uma lei que proíba expressamente o nascimento de crianças no arquipélago. No entanto, o protocolo em vigor determina que as gestantes moradoras de Fernando de Noronha sejam transferidas para o Recife ao completarem 28 semanas de gestação, o equivalente a 7 meses.
Desde então, o governo de Pernambuco custeia as passagens aéreas, a hospedagem e a alimentação da gestante e de um acompanhante durante o período fora e Noronha. A restrição começou a valer em 2004, quando foram desativados os serviços de parto na ilha, que hoje tem 3.167 habitantes. Até então, havia apenas uma maternidade em funcionamento, no Hospital São Lucas.
Agora no g1
Isolamento e altos custos
Parte da explicação para isso está no isolamento geográfico de Fernando de Noronha, que possui apenas um hospital de média complexidade, o São Lucas. A ilha não possui maternidade nem Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para mães e recém-nascidos.
Segundo o governo estadual, o Ministério da Saúde determina que os partos sejam realizados em maternidades com equipe especializada para garantir a segurança da gestante e do bebê. Com isso, o custo para assegurar os equipamentos e realizar as operações se torna muito alto em relação aos serviços de saúde do continente.
O g1 perguntou ao governo de Pernambuco quanto custaria adequar o Hospital São Lucas às exigências do Ministério da Saúde para a realização de partos na ilha.
A reportagem também questionou quanto o estado gasta com o transporte, a hospedagem e a alimentação das gestantes transferidas para o Recife. As perguntas não haviam sido respondidas até a última atualização desta reportagem.
Polêmica
A proibição de partos em Fernando de Noronha divide opiniões. Moradoras questionam o direito de terem os filhos na ilha, tema abordado no documentário “Proibido Nascer no Paraíso”.
m maio de 2020, a empresária Alyne Dias Luna foi levada ao Aeroporto de Fernando de Noronha por policiais após se recusar a deixar a ilha para dar à luz. Ela afirmou que temia contrair Covid-19 durante a viagem e, por isso, queria ter a filha em Noronha.
Mesmo sem o consentimento da gestante, o Governo de Pernambuco fretou uma aeronave para transferi-la ao Recife, onde o parto foi realizado.
VÍDEOS: mais vistos de Pernambuco nos últimos 7 dias
