
O diretor-presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Álvaro Faierstein, afirmou que a Voepass enviava informações falsas ao órgão regulador sobre a manutenção de suas aeronaves. A declaração foi dada em entrevista ao Fantástico, da TV Globo, exibida neste domingo (26).
Segundo Faierstein, a empresa comunicava à Anac que determinados reparos haviam sido realizados, quando, na prática, eles não aconteciam.
As declarações surgem pouco mais de um ano após a queda do avião da Voepass em Vinhedo (SP), em 9 de agosto de 2024. A aeronave fazia o trajeto entre Cascavel (PR) e Guarulhos (SP), e o acidente deixou 62 mortos.

Investigação revelou falhas na fiscalização da empresa
As afirmações de Faierstein reforçam os problemas apontados no relatório final da investigação sobre a companhia. Na última quinta-feira (24), a Força Aérea Brasileira (FAB), por meio do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), divulgou o documento conclusivo sobre o acidente.
O relatório indicou uma sequência de fatores que contribuíram para a queda da aeronave, incluindo formação severa de gelo, perda de controle do avião e falhas operacionais. O documento, no entanto, não atribui culpa ou responsabilidade civil e criminal, mas busca identificar os fatores que levaram ao acidente para prevenir novas ocorrências.
Após o acidente, a Anac intensificou a fiscalização sobre a Voepass e identificou irregularidades em procedimentos de manutenção e no sistema de gestão da empresa.
Operações foram suspensas
Em março de 2025, a Anac determinou a suspensão cautelar das operações da Voepass após constatar que a empresa não atendia aos requisitos necessários para garantir a segurança operacional.
De acordo com a agência, foram encontradas falhas na execução das manutenções, na rastreabilidade de procedimentos e no cumprimento de exigências regulatórias. As novas declarações do presidente da Anac indicam que parte das informações utilizadas pelo órgão para acompanhar a companhia era baseada em dados incorretos enviados pela própria empresa.
Voepass nega irregularidades
Em nota divulgada após a publicação do relatório do Cenipa, a Voepass afirmou que sempre atuou seguindo padrões internacionais de segurança, com aeronaves certificadas e tripulações treinadas. A empresa também disse que colaborou integralmente com as investigações e reforçou o compromisso com a segurança operacional.
As declarações do presidente da Anac, entretanto, apontam que a agência identificou inconsistências entre os registros enviados pela companhia e a situação real das aeronaves durante o processo de fiscalização.
