Pausa entre EUA e Irã derruba petróleo, mas riscos em Ormuz mantêm mercado em alerta

A pausa nos ataques entre Estados Unidos e Irã reduziu parte da pressão sobre o mercado de petróleo nesta segunda-feira (27), mas ainda não afastou os riscos relacionados à oferta global de energia. Depois de 13 dias consecutivos de bombardeios, Washington suspendeu as ofensivas no Oriente Médio para abrir espaço às negociações diplomáticas.

A decisão americana foi atribuída ao comandante das forças dos Estados Unidos na região, que avaliou que a campanha militar havia atingido o limite de sua eficácia. O governo iraniano também sinalizou que deve interromper os ataques enquanto a suspensão das operações americanas for mantida.

Apesar da redução da tensão militar no curto prazo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que todas as opções continuam sobre a mesa.

A declaração indica que a interrupção dos ataques ainda não representa um encerramento formal do conflito.

Estados Unidos e Irã: petróleo recua após alta acumulada na semana

A pausa nas ofensivas provocou uma correção nas cotações do petróleo. Depois de acumular alta de aproximadamente 10% na semana passada, o Brent deixou o patamar de US$ 100 e encerrou a sexta-feira cotado a US$ 96,78, com queda de 3%.

O movimento de baixa continuava no início do pregão desta segunda-feira. A reação reflete a redução imediata do risco de uma ampliação do conflito, que poderia comprometer a produção e o transporte de petróleo no Oriente Médio.

A dúvida para os investidores é se a interrupção dos ataques representa o início de uma descompressão mais duradoura ou apenas uma pausa temporária. A resposta terá influência sobre as perspectivas para inflação, juros e crescimento econômico.

Uma nova escalada poderia elevar novamente o petróleo, pressionar os custos de combustíveis e transporte e dificultar o trabalho dos bancos centrais no controle dos preços.

Ormuz e Mar Vermelho continuam no radar

Os riscos logísticos permanecem mesmo com a trégua militar. O bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos continua em vigor no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas mundiais para o transporte de petróleo.

No Mar Vermelho, os houthis seguem pressionando o tráfego de embarcações e mantêm o Estreito de Bab el-Mandeb entre os pontos monitorados pelos investidores.

A combinação entre redução dos ataques e manutenção das restrições logísticas explica a cautela do mercado. Novas declarações dos governos envolvidos ou a retomada das ofensivas podem recolocar rapidamente o prêmio de risco nas cotações.

Enquanto isso, Omã retomou os esforços de mediação, e Paquistão e China passaram a articular uma nova tentativa de negociação entre Washington e Teerã. O resultado dessas conversas será determinante para saber se o alívio observado no petróleo poderá ser sustentado.

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