Thiago Nigro revela os aprendizados por trás da expansão do Grupo Primo

A construção do Grupo Primo ocorreu a partir da percepção de que um projeto baseado apenas na imagem de Thiago Nigro não seria suficiente para ampliar o alcance da educação financeira. Durante participação no Rav Sany Live Show, o empresário afirmou que precisou formar uma estrutura com sócios, economistas, comunicadores e outros profissionais para transformar a produção individual de conteúdo em uma organização com diferentes frentes de atuação.

Segundo Nigro, o grupo reúne cerca de 1.600 colaboradores e alcança aproximadamente 40 milhões de pessoas por mês. A expansão também envolveu a criação de produtos educacionais, serviços de investimentos e canais de comunicação voltados à formação financeira do público.

“Eu percebi que eu nunca conseguiria mudar a vida de milhões de pessoas sozinho. Eu percebi que o Primo Rico precisava se tornar o Grupo Primo”, afirma Thiago Nigro.

Talento pessoal orientou modelo de negócio

Nigro atribui parte de sua trajetória profissional à identificação de habilidades relacionadas à comunicação, à organização do pensamento e ao ensino. O empresário contou que percebeu essas competências quando aceitou conduzir um treinamento sobre investimentos no início da carreira, apesar da insegurança e da falta de experiência diante do público.

A apresentação foi realizada para duas pessoas e resultou na abertura das contas dos participantes. Mais do que o resultado comercial, porém, a experiência mostrou ao empresário que a educação poderia se tornar o centro de sua atuação profissional e orientar a construção de um negócio baseado na produção e na distribuição de conhecimento.

“Eu descobri três coisas. Eu sou um cara que eu organizo bem meu pensamento, que eu me comunico bem quando estou falando e que eu sou um bom educador. Essas três coisas eu descobri que são minhas fortalezas. Então eu construí o meu negócio com base no meu talento”, relata Thiago Nigro.

Diversificação orienta filosofia de investimentos

Ao explicar sua estratégia de investimentos, Nigro apresentou a filosofia denominada Arca, estruturada a partir da distribuição do patrimônio entre ações, ativos imobiliários, renda fixa com liquidez e ativos internacionais. O modelo foi inspirado em um princípio de diversificação descrito no Talmude e adaptado ao funcionamento atual dos mercados.

O empresário afirmou que a inclusão de investimentos internacionais busca reduzir a exposição a riscos concentrados em um único país ou moeda. Segundo ele, a estratégia foi submetida a estudos históricos em diferentes mercados, com o objetivo de avaliar seu comportamento em períodos prolongados e em momentos de crise.

“Se você constrói sua arca antes de uma crise, você termina a crise lá em cima”, explica Thiago Nigro.

Cultura empresarial limita riscos da expansão

Na gestão do Grupo Primo, Nigro identificou a preservação da cultura organizacional como uma das principais dificuldades do crescimento acelerado. A empresa passou de sete para cerca de 300 profissionais em 20 meses, processo que aumentou a capacidade operacional, mas dificultou a transmissão dos valores adotados pela equipe inicial.

A experiência levou o empresário a defender estruturas menores e mais alinhadas, em vez de equipes numerosas sem objetivos comuns. Para Nigro, a contratação de profissionais que atuam em direções diferentes pode elevar a folha de pagamento sem produzir ganhos proporcionais de produtividade ou de execução.

“A cultura é o alicerce e é a base do negócio. Sem a cultura, o negócio sobrevive no curto prazo, mas no longo prazo não”, ressalta Thiago Nigro.

Modelo de negócio, vendas e delegação

Outro aprendizado citado por Nigro foi a necessidade de combinar um modelo de negócio validado com uma estrutura comercial capaz de ampliar a distribuição dos produtos e serviços. O empresário também reconheceu que o crescimento exigiu a redução do controle centralizado e a formação de lideranças com autonomia para dividir responsabilidades.

Ao tratar dos riscos enfrentados por empresários, Nigro apontou a ganância e o excesso de confiança como fatores capazes de comprometer decisões, afastar conselheiros e reduzir a percepção de riscos. Como contraponto, defendeu a generosidade, a lealdade e o compartilhamento dos resultados. Ele contou que, após vender 17% do Grupo Primo em uma operação que avaliou a empresa em 1,2 bilhão, decidiu recompensar profissionais que participaram dos primeiros anos do negócio.

“Eu acredito que o maior erro que os empresários cometem é a ganância. A ganância vai te conquistando com agrados até a hora que ela te pega e não tem volta”, avalia Thiago Nigro.

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